O Feminino e o Sagrado um jeito de olhar o mundo

Qualquer um que não apoie sua arte e sua vida não é digno do seu tempo, diz Clarissa Pinkola Estés

Clarissa fala que nossos projetos precisam ser acalentados e alimentados também pelo apoio vital de pessoas carinhosas… e não ir atrás de quem não nos apoia.

“A maior parte do tempo as pessoas têm ideias fantásticas. Vou pintar aquela parede de uma cor que eu aprecie; vou bolar um projeto com o qual toda a cidade se envolva; vou fazer uns azulejos para meu banheiro e, se eu realmente gostar deles, vou vender alguns; vou voltar a estudar; vou vender a casa para viajar, vou ter um filho, deixar isso e começar aquilo, seguir o meu caminho, me organizar, ajudar a corrigir essa ou aquela injustiça, proteger os desassistidos.

Esses tipos de projeto precisam ser acalentados e alimentados. Eles precisam de apoio vital — de pessoas carinhosas. A menininha dos fósforos está aos frangalhos. Como diz a velha canção folclórica, esteve por baixo tanto tempo que até lhe parece que está por cima. Nada pode vicejar nesse nível. Queremos nos colocar em situações nas quais, como as plantas e as árvores, possamos nos voltar para o sol. Mas é preciso que haja um sol. Para conseguir isso temos de nos mexer, não simplesmente ficar ali sentadas. Temos de fazer alguma coisa para tornar diferente nossa situação. Se não nos mexermos, estaremos de volta às ruas vendendo fósforos.

Amigos que a amem e que tenham carinho pela sua vida criativa são os melhores sóis do mundo. Quando uma mulher, como a menininha dos fósforos, não tem nenhum amigo, ela também se sente congelada de angústia bem como, às vezes, de raiva. Mesmo que se tenha amigos, eles podem não ser sóis. Eles podem confortá-la em vez de mantê-la informada das suas circunstâncias cada vez mais gélidas. Eles a consolam — mas isso é muito diferente do cuidado e carinho. O cuidado e o carinho levam a mulher de um lugar para outro. Eles são como cereais matinais psíquicos.

A diferença entre o consolo e o cuidado e carinho é a seguinte: se você tem uma planta que está doente porque vocês a mantém num armário escuro e você lhe diz palavras tranqüilizadoras, isso é consolo. Se você tira a planta do armário e a põe ao sol, lhe dá algo para beber e depois conversa comi ela, isso é cuidado e carinho”.

Fonte: Mulheres que correm com os Lobos, Clarissa Pinkola Estés

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