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Para a mulher selvagem: cuide de um jardim

jardim

Cuidar de um jardim é um tipo de meditação, diz Clarissa Pinkola. E quem não tem um jardim pode fazer a mesma coisa com vasos de plantas, não é a escala que importa.  

“Às vezes, com o objetivo de aproximar uma mulher da natureza da vidamorte-vida, eu lhe peço que cuide de um jardim. Seja ele psíquico, seja ele de lama, estrume e verdura, bem como de todas as coisas que cercam, ajudam e atacam. Que ele representa a psique selvagem. O jardim é um vínculo concreto com a vida e a morte. Seria mesmo possível dizer que existe uma religião dos jardins, pois eles nos ensinam profundas lições espirituais e psicológicas.

Qualquer coisa que possa acontecer a um jardim pode acontecer à alma e à psique — excesso de água, falta de água, pragas, calor, tempestades, enchentes, invasões, milagres, ressecamento, reverdecimento, bênçãos, cura.

Durante a existência do jardim, a mulher escreve um diário, registrando os sinais de doação de vida e de retirada de vida. Cada registro ajuda a formar uma sopa psíquica. No jardim, adquirimos prática para deixar que pensamentos, idéias, preferências, desejos e até mesmo amores vivam e morram. Plantamos, arrancamos, enterramos. Secamos sementes, fazemos a semeadura, protegemos as plantinhas.

O jardim é uma prática de meditação, a de dizer a hora de alguma coisa morrer. No jardim, podemos ver chegar a hora de desfrutar e a hora da regressão. No jardim, estamos nos movendo de acordo com a inspiração e a expiração da grande natureza selvagem, não contra ela. Através dessa meditação, reconhecemos que o ciclo da vida-morte-vida é natural.

Tanto o lado da mulher selvagem que dá a vida quanto aquele que distribui a morte estão esperando um contato amigo, esperando ser amados para sempre. Nesse processo, nós nos tornamos como a natureza selvagem cíclica. Temos a capacidade de infundir energia e reforçar a vida, sem atrapalhar o que vai morrer.”

Clarissa Pinkola Estés, Mulheres que correm com os lobos

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