O Feminino e o Sagrado um jeito de olhar o mundo

O Feminino e os Livros – LIÇÕES DE VIDA

LIÇÕES DE VIDA – DAS GRANDES HEROÍNAS DA LITERATURA, foi escrito pela americana Erin Blakemore e editada pela Casa da Palavra Produção Editorial em 2012. O livro é uma mistura de análise literária, biografia de escritoras, reflexões sobre a vida e um pequeno “toque” de auto ajuda. 

Na introdução a autora diz:
 “…dentro dos livros que amo eu encontro alimento, repouso, fuga e perspectiva. Também encontro outra coisa: heroínas e autoras, centenas de mulheres cujas vidas reais e fictícias percorreram o caminho que eu também tenho que trilhar”. 

No livro ela elege doze personagens femininos, de conhecidos livros escritos por mulheres, como suas heroínas. Define como heroína a mulher que é protagonista da sua própria história. 
São elas: Lizzy Bennet de “Orgulho e Preconceito”, de Jane Austen, Janie Crawford de “Seus olhos observam Deus” de Zora Neale Hurston, Anne Shirley de “Anne de Green Gables”, de Lucy Maud Montgomery, Celie de “A Cor Púrpura”, obra de Alice Walker, Francie Nolan de “Laços de família”de Betty Smith, Claudine dos diversos romances da personagem, escritos por Colette, Scarlett O’Hara de “O Vento Levou”, escrito por Margaret Mitchell, Scout Finch de “O Sol é Para Todos”, de Harper Lee, Laura Ingalls de “O Longo Inverno”, de Laura Ingalls Wilder, Jane Eyre de “Jane Eyre”, de Charlotte Brontë, Jo March de “Mulherzinhas”de Louisa May Alcott e Mary Lennox de “O Jardim Secreto”, escrito por Frances Hodgson Burnett. 

De cada heroína/personagem  ela destacou uma qualidade e/ou uma forte característica de suas personalidades: identidade, fé, felicidade, dignidade, laços de família, indulgência, luta, compaixão, simplicidade, determinação, ambição e mágica. 

Cada capítulo do livro é dedicada a uma dessas personagem. Eles começam com o contexto da vida da escritora do livro onde “mora” a personagem e como ele foi criado. Muitas vezes também insere trechos da sua própria vida e como o livro e a personagem se relacionavam com ela, Erin . 
Depois traz a descrição e reflexões sobre a qualidade e/ou característica que a autora vê naquela “heroína”, com trechos dos livros como ilustração. Aliado a isso, mistura as histórias das escritoras com suas personagens fazendo a relação entre “a criatura e a criadora” .
Muitas dessas escritoras foram mulheres que não tinham maneiras de expressar suas questões, pelas limitações tanto pessoais como pelas advindas do tempo em que viveram, e que criaram personagens que fizeram isso por elas. Com isso ajudaram e continuam ajudar, com o universo literário que criaram, a muitas outras mulheres que se identificam com suas heroínas e são por elas “incentivadas”a buscar seu próprio caminho. 
E cada capítulo termina sugerindo ocasiões na vida onde ler o livro sugerido é recomendado, quase como um remédio e citando outras personagens de outros livros que são, segundo a autora, “irmãs literárias”da personagem em destaque. 

O livro termina com um epílogo, que traz a meu ver o porque da magia dos livros. Falando sobre as escritoras que criaram suas heroínas, Erin  diz:
“De certa forma, elas nos deram o fardo de uma tarefa extraordinária: trazer nossas experiências de vida e nossas interpretações para a leitura de suas vidas e de suas heroínas; manter vivo os seus legados, muito tempo após suas mortes. Para mim, o poder de tais autoras não está apenas nos livros que escreveram, mas nas vidas que levaram. Vidas que, de certa forma, conseguem atravessar continentes e séculos”. 

Para quem, como eu, adora livros, histórias de vida e escritoras é um livro bem interessante! 

PS: O livro, em termos físicos – capa, papel, ilustrações internas – é muito bonito, de uma forma bem delicada, feminina, só que a editora comete um deslize imperdoável: a bibliografia em português está incompleta e com erros.

Texto de Cristina Balieiro

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