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O Feminino e os Livros: AS BOAS MULHERES DA CHINA

AS BOAS MULHERES DA CHINA, foi escrito por Xinran e editado pela Companhia das Letras em 2003. Em 2007 também foi lançado pela mesma editora em edição de bolso. 
 Li em 2006 quando o comprei e reli agora: tanto na época, como agora, mesma comoção, mesmo impacto.

Xinran é uma jornalista, radialista e escritora chinesa. Nasceu em Pequim em 1958 e trabalhou em Nanquim até 1997, quando mudou-se para Londres. Ela começou em 1989 um programa noturno na rádio de Nanquim chamado “Palavras na Brisa Noturna” onde buscava discutir com os ouvintes aspectos do cotidiano. O programa logo se tornou um sucesso e ela começa a receber muitas cartas dos ouvintes. 
Com poucos meses do programa no ar, recebe uma carta contando o caso de uma garota de cerca de 12 anos que havia sido raptada por um velho para ser sua amante e pedindo que Xinran a salvasse. Ela consegue salvar a menina, mas a grandes custos e ao invés de parabenizá-la, recebe críticas da emissora e da polícia por desperdiçar tempo e dinheiro. Começa então a se questionar sobre qual o valor da vida de uma mulher na China. 

Essa história e seu começo de buscar entender o que era a mulher chinesa é o primeiro capítulo do livro AS BOAS MULHERES DA CHINA: “Meu percurso rumo às histórias das mulheres chinesas”. Ela inicia essa busca ainda “meio ingênua”, mas a medida que vai abrindo espaço para ouvir mais e mais histórias, tanto através de seu programa, como através de cartas e de entrevistas, vai aprofundando e diversificando seu conhecimento da terrível posição das mulheres na China. Como seu programa de torna muito popular e é visto como um dos únicos canais de comunicação para muitas chinesas, ela meio que se torna uma celebridade, o que lhe abre muitas portas para conhecer mais e mais histórias. 

O livro tem além do primeiro, mais 14 capítulos, todos com histórias reais de mulheres, inclusive a dela e a da própria mãe que são também muito dolorosas. E um epílogo onde conta que muito abalada por toda essa experiência se muda para a Inglaterra: queria saber como era viver numa sociedade livre. E lá resolve escrever esse livro, pois como diz: “…pareceu-me ainda mais urgente usar as lágrimas delas todas, e também as minhas, para criar um caminho rumo à compreensão”. 

Xinran relata essas histórias pungentes, trágicas e intensas com imensa delicadeza e de forma tão pessoal e emocionada que nos faz sentir como se ela as estivesse contando diretamente para nós. 
Ao mesmo tempo é como se quisesse que o mundo conhecesse esses relatos, como se fosse sua missão dar voz a essas mulheres, como se narrar fosse a forma de delatar as atrocidades e defender essas mulheres. 

Como esse e vários outros livros, relatos, reportagens, textos históricos e hoje inclusive imagens demonstram, quando regimes atrozes chegam ao poder como foi o governo de Mao Tse Tung, especialmente com sua chamada “revolução cultural”, as pessoas sofrem muito, mas SEMPRE, o sofrimento das mulheres é muito maior. Elas são sempre as maiores vítimas. E, no caso da China e de muitos outros países, essa dominação brutal dos homens sobre as mulheres é milenar! 

Então, para as mulheres que acham que o Feminismo é ultrapassado ou que ele só trouxe perdas para as mulheres ou que ele é coisa de burguesas ou de mulheres mal amadas ou que hoje é desnecessário, sugiro que leiam esse belo e terrível livro.

Texto de Cristina Balieiro

2 comentários

  1. Olá Beatriz e Cristina,

    Fiz um post com a indicação do livro do Bear Heart que estou lendo e adorando! Coloquei um link para cá. Espero que gostem.
    Abraços

  2. Ficou muito legal, Cristine!
    Abraco
    Cris

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