O Feminino e o Sagrado um jeito de olhar o mundo

Madonas Negras: uma pequena história

Os primeiros cristãosadaptavam ou copiavam imagens e temas de outras religiões que tinham correspondência com os deles (em termos junguianos, com os mesmos arquétipos). Assim, representações antigas da Virgem com Jesus menino eram semelhantes com as da deusa egípcia Isis com seu filho Horus nos braços. 
A diferença entre as duas é que Isis era tanto a deusa mais luminosa e sublime como também a deusa dos mundos subterrâneos, dos mortos, da noite, da terra.   
A Virgem Maria assumiu apenas o aspecto iluminado e puro do feminino sagrado, e o lado escuro foi suprimido dos cultos oficiais cristãos.
O resultado é que simbolicamente nós mulheres também fomos divididas e nos dividimos em dois tipos: uma a glorificada pura mãe e esposa que imita a Virgem e outra a temida puta bruxa que deve ir para a fogueira. 
Essa base arquetípica na vida concreta geralmente não se apresenta tão polarizada, mas o fato é que em graus variados mulheres foram e ainda são sacrificadas ( e se sacrificam) a essas representações. Por isso é tão interessante o surgimento das Madonas Negras, que trazem de volta o aspecto reprimido do sagrado feminino.
As madonas não são juizas acusadoras; pelo contrário, são  benevolentes  protetoras dos imperfeitos seres humanos.  Por isso, há representações onde Ela aparece com o manto aberto e um monte de pequenas pessoas – os pecadores – escondendo-se lá embaixo da ira de Deus, como as mães muitas vezes protegem os filhos do pai. 
Brancas ou negras,  as Virgens não opostas e sim complementares. Já é hora de assumirmos, todas, todos os aspectos que nos formam, de todas as cores que enriquecem nosso belo mundo.
Texto de Bia Del Picchia baseado no livro O gato de Marie Louise Von Franz, coleção Amor e Psique, Ed. Paulus.

4 comentários

  1. Anônimo disse:

    Muito bom esse texto!! Esta dualidade persegue mesmo o feminino, as culpas, etc, etc.

  2. Meninas ou meninos, sabemos que quando vcs postam como anônimos é porque não conseguiram postar com seus nomes – o bloguer por quaquer motivo não permitiu…mas, please, coloquem seu nome na mensagem: adoramos saber quem fala conosco. Abracão e gratas pelo comentário (percebem que meu note não tem cedilha???)
    Cris

  3. Tem um mantra em português diz: quem diz que és escura, Ó minha mãe divina.Muitos sóis, muitas luas em ti estão a brilhar!Lilith e Eva.Lindo texto!
    Muitas culpas femininas derivam da dificuldade nessa dualidade.

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