Até que ponto vale a pena insistir em se adaptar?
Em dos mais belos textos de Mulheres que correm com os lobos, Clarissa Pinkola diz: “Se você tentou se adaptar a qualquer tipo de forma e não conseguiu, talvez você tenha muita sorte. É verdade que você pode ser um exilado de alguma espécie, mas sua alma está abrigada. Ocorre um estranho fenômeno quando a pessoa tenta se adequar e não consegue. Muito embora a criatura diferente seja rejeitada, ela ao mesmo tempo é empurrada para os braços dos seus verdadeiros companheiros psíquicos, quer se trate de uma linha de estudo, de uma forma de arte, quer de um grupo de pessoas. É pior ficar ali onde não nos sentimos bem do que vaguear perdida por um período em busca da afinidade psíquica e profunda de que precisamos. Nunca é errado ir à procura do que necessitamos. Nunca mesmo”.
Esse é o tema básico do antigo conto de fadas do Patinho Feio, e do novo conto de gente da Patinha Feia no ebook Às vezes princesa, às vezes não.
Esse conto narra a história de uma garota que cresceu ouvindo coisas assim das irmãs:
“- Você é horrorosa! Cabelo-armado-de-vassoura! Anda de pé virado igual a uma pata! Pata choca!
As irmãs eram três belezas magras, sexys, populares, vaidosas, parecidas com a mãe e tão diferentes dela que às vezes pensava se não havia sido adotada.
Patinha tentou entrar em várias turmas da escola e do condomínio, mas não se encaixou em nenhuma. Por fim, concluiu que sendo uma pessoa inadequada, fraca, infeliz e desajustada, era natural que ninguém a amasse ou quisesse ficar com ela.
Concluiu também que ficar sozinha doía menos.
O pior da solidão era aguentar os longos intervalos das aulas e os fins de semana sem programa nenhum.
Só que então ela descobriu uma coisa que mudou toda sua vida.
Mesmo”.