O Feminino e o Sagrado um jeito de olhar o mundo

Sincronicidade (chinesa), por Sandra Shamas

 Texto de SANDRA CHAMAS

Como “coleciono” sincrocidades,  minha amiga Sandra (http://sschamas.blogspot.com.br/)   enviou essa bela história de sincronicidade, que adorei! 

PS- Acreditem ou não, no dia em que coloquei este post ví um chines igualzinho ao que ela descreve atravessando a esquina da Al Joaquim Eugenio com a Paulista, bem na minha frente. Também quase bati o carro!


Houve uma época em que eu seguia uma seita de origem oriental e, nessa seita, eles acreditavam no que chamavam de “ mundo espiritual”. Acreditavam que não existia reencarnação, mas os espíritos se comunicavam diretamente conosco. Dois mundos paralelos com vibração energética diferente, mas que se comunicavam quando havia brechas e/ou afinidades.

Um belo dia, estava eu atrasada , indo buscar as crianças na escola quando tive a exata impressão de ter, ao meu lado, um ser de luz, de quem eu só via os pés, bem limpinhos e branquinhos, com unhas redondas e bem polidas. Como por pensamento ele me dizia, em inglês, que eu olhasse bem para os pés dele e que confiasse nele. Porém, que desconfiasse de aparições que não mostrassem os pés. 
Quase bati o carro por causa dessa sensação e achei melhor encostar o carro num lugar seguro. Peguei uma caneta e um bloco ( sempre tenho uma caneta e um bloco) e anotei tudo o que ele ia me passando por uma espécie de telepatia, uma comunicação sem palavras. Disse seu nome, Shong Lou Wang. Aflita com o horário, não conseguia mais me concentrar e então ele disse que eu precisava ser mais vertical, ter mais confiança na minha intuição, ser bem louca, tão louca quanto eu achasse que poderia ser, pois o mundo precisa de gente louca que faça coisas diferentes. Hã!

Cheguei a desenhar com canetinha colorida a imagem que eu achei ter visto, mostrei para o chinês da lojinha do bairro, ele disse que aquele era um sábio, o que para nós ocidentais poderia ser um anjo. Outras pessoas, de outras crenças já o viram perto de mim, meu filho sonhava com ele.

Tempos depois fui para São Francisco – Califórnia, ao sair do aeroporto, na rua, confesso, estava perdida, não sabia para onde ir. Isso aconteceu nos anos 80, as pessoas viajavam menos, não havia wifi, nem celulares, nem mapas no Google. Fui para um ponto de ônibus, devia estar com cara de assustada, quando um senhor chinês, bem velhinho, se aproximou. Bem vestido, inglês fluente, perguntou se podia me ajudar.
Sim, claro que podia, como chegar à rua tal, número tal, hotel Holiday Inn. Sorriu, fofo. Muito fácil, muito fácil…explicou com calma e clareza. O ônibus chegou e eu cheguei onde tinha que chegar. Amei a cidade, me senti em casa. Comprei uma caixinha de música só para poder ir lá, a hora que quiser,  em pensamento.

Nos anos 90 minha filha se mudou para uma cidadezinha próxima a São Francisco e eu tive outras oportunidades de curtir o lugar. Meu sábio chinês às vezes aparece, fica triste quando me esqueço dele, está sempre à disposição. Achei uma foto de uma turminha de sábios chineses e ele está entre eles. Que bom que eu pude me lembrar dessa experiência e registrar para vocês.

Obrigada, valeu!

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