O Feminino e o Sagrado um jeito de olhar o mundo

Ser mulher, ser visionária – ou como reinventar a historia

O que é uma mulher? Existe mesmo esse tal de feminino? Ser mulher é apenas uma construção social?

Não existe uma resposta simples. O mais legal é a pergunta em si, é o próprio debate sobre isso, quando a gente pensa a nós mesmas – e daí sim, a consciência se expande, fluem ideias incríveis, e a revolução começa a acontecer.

Um pouco de história e mitologia ajuda a pensar nisso. Riane Eisler defende que houve um tempo em que a parceria mulher-homem era de fato parceria, que as ditas “qualidades femininas” como não violência e respeito a diversidade eram de fato vivenciadas, e que esse tempo ficou na memória humana como ecos do paraíso:

“O livro Tao Te Ching descreve uma época quando o yin, o principio feminino, ainda não era governado pelo yang, o principio masculino, uma época mais harmoniosa, quando a sabedoria da mãe era reverenciada e a humanidade vivia em paz. Os antigos escritos do poeta grego Hesíodo fala de uma “raça de ouro” que arava o solo “em pacifica tranquilidade” antes que uma “raça inferior” trouxesse Ares, o deus da guerra. (…) existe uma concordância geral entre os estudiosos de que, em muitos aspectos, essas narrativas estejam baseadas em eventos pré históricos. Entretanto, até agora, a alusão a uma época em que homens e mulheres viviam em parceria e os homens não desprezavam os valores femininos não tem sido considerado, de um modo geral, mais que fantasia.”

Riane lembra que antes se pensava que a guerra de Troia nunca existiu e depois suas ruinas comprovaram que sim, foi um evento histórico. Lembra das lendas de Atlântida, do que se sabe sobre a vida em Creta antes da chegada dos arianos, fala dos relatos mesopotâmicos e da própria bíblia sobre algum paraíso ancestral quando “o lobo não atacava as ovelhas…”

Seja isso história, mitologia ou fantasia, eu acredito que nós, mulheres, devemos a nós mesmas sermos visionarias: acreditarmos que essas sociedades podem existir e que nós podemos, dentro de casa e na rua, com trabalhos grandiosos e/ou com os de formiguinha, mudar o mundo.

A revolução será feminista ou não será.

(Ilustração de cima: facebook ilustras da gabi)

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