O Feminino e o Sagrado um jeito de olhar o mundo

Quando deus era mulher: a Grande Mãe


Em tempos ancestrais, na pré história da humanidade, deus era um ser feminino: a Grande Deusa Mãe. Essa deusa, que reinava de maneira solitária e soberana sobre tudo, representa a primeira visão humana do divino.
A característica dessa Deusa Mãe que a diferencia totalmente do Deus Pai como veio a ser representado nas tradições monoteístas masculinas, é que ela contém TUDO e não só o lado bom! Ela contém o Bem e o Mal, a Luz e a Sombra, a Vida e a Morte, o Dia e a Noite, a Abundância e a Escassez, a Amorosidade e a Ira, a Criação e a Destruição, enfim carrega em si todos os pares de opostos. O junguianos Erich Neumann comenta que um dos traços fundamentais dela era essa coincidentia oppositorum, ou seja, a unidade dos contrários.

Tudo e todos nascem dela e nela irão ao morrer; é dela que tudo vem e é para ela que tudo volta. Era vista tanto como Mãe Bondosa como Mãe Terrível − útero e túmulo de todos − porque exercia tanto o poder de dar vida como o de trazer a morte. Havia nela uma unidade mística, tanto das forças benignas como as forças ameaçadoras que regem o mundo. Nessa visão, assim como a vida era celebrada, o processo destrutivo da natureza também era reconhecido e respeitado.

Ela era também a Transformadora: aquela que recebia em seu ventre cósmico as sementes e as transformava em vegetação, assim como os corpos mortos e os devolvia renovados e reencarnados, gerando o futuro e garantindo a continuidade da vida. Essa visão é simbolizada pelo aspecto tríplice muitas vezes atribuído a Grande Deusa: Donzela, a criadora, Mãe, a mantenedora e Velha, a ceifadora, numa visão da vida composta de sucessivos nascimentos-mortes-renascimentos. Depois da Velha sempre reaparecia a Donzela, no ciclo ao mesmo eterno e mutável da natureza e do cosmos.

Trechos do livro O LEGADO DAS DEUSAS 2

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *