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Qual a origem do Carnaval?


Como muitas das tradições, profanas e religiosas, também o Carnaval tem origem remota, nos tampos pagãos e foi “apropriada”, de certa forma pelas tradicões patriarcais posteriores. Nesse dia que a festa finda, vamos falr um pouco sobre sua possível origem com um texto de Cíntia Cristina da Silva e Alexandre Versignassi, publicado na revista Superinteressante.

A coisa mais parecida com o carnaval de hoje que se tem notícia eram as “saturnais”, festas que aconteciam na Roma antiga em exaltação a Saturno, deus da agricultura. A diferença é que essas festas aconteciam em dezembro. A semelhança é que elas duravam quase uma semana, as escolas fechavam, os escravos tiravam folga e os romanos dançavam pelas ruas – bloquinhos, basicamente e orgias e bebedeiras descomunais faziam parte do cardápio de diversões.
E tinha até carro alegórico. Eles levavam homens e mulheres nus e eram chamados de carrus navalis (“carro naval”), pois tinham formato de navio. Seria essa a origem da palavra “Carnaval”? Não se sabe, ainda que não haja registro de que algum dia as saturnais em si tenham recebido o nome de carrus navalis.
A expressão acabaria “ressignificada” na Idade Média, conforme a Igreja Católica ia cristianizando tradições pagãs. É provável que o carrus navalis tenha virado, por aproximação fonética, carne vale (adeus à carne).
Porque “adeus à carne”? Porque a festa com carros alegóricos e doideira generalizada migrou de dezembro para os últimos dias antes de uma quarentena religiosa – aquela observada antes da Páscoa: a “quaresma”.
O carne vale, que nunca fez parte do calendário religioso oficial, ficou marcado como o momento de exagero feito para compensar a entrada no período de penitência – no qual o consumo de carne era proibido.
A variação da data do Carnaval no calendário se deve justamente à ligação direta com a Páscoa – que, no Hemisfério Sul, sempre acontece no primeiro domingo após a primeira lua cheia do outono.
Determinada a data do feriado cristão, basta retroceder 46 dias no calendário (40 da Quaresma mais seis da Semana Santa) para chegar à Quarta-Feira de Cinzas. O dia anterior é a “terça feira gorda” – o Carnaval propriamente dito.
Por sinal: no fundo, tudo veio de festivais pré-históricos de celebração de colheita. A própria Páscoa, antes de celebrar a ressurreição de Cristo ou o Êxodo dos judeus do Egito (que teria acontecido mil anos antes de Jesus), era uma comemoração pelo início da primavera, e de sua abundância agrícola, no hemisfério norte. E os dias de privação antes da primavera eram simplesmente uma necessidade, já que marcavam o momento em que os estoques de alimento para o inverno (mortal e completamente infértil nas altas latitudes) estavam acabando. Com a tradição desses períodos de penitência, veio junto a de festejar antes. É isso que o Carnaval reflete.

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