O Feminino e o Sagrado um jeito de olhar o mundo

Por que permaneço menor do que poderia ser?

Volto a falar da jornada do herói, o modelo mítico que serve como espelho para a história de vida de quem busca na vida sua própria autenticidade. 
Essa jornada rumo a nossa essência, sempre começa com um Chamado a Aventura, algo que nos chama, impele ou empurra para essa busca. 
 Mas temos a opção de dizer sim e atender esse Chamado ou nos recusarmos a ouvi-lo ou atendê-lo, claro! Por isso uma das etapas da primeira fase da jornada – a Ruptura – é a RECUSA AO CHAMADO. 
 Mas, por que recusamos nosso Chamado??? Simplesmente porque é MUITO difícil atendê-lo! 
As dificuldades são inúmeras, tanto as externas que vem para nós pelos outros e pela vida prática, quanto as internas, as questões que estão dentro de nós. A grande dificuldade é que vivemos numa cultura onde a busca da nossa essência não é um valor! 
Se você for uma pessoa competitiva, meio workaholic, extrovertida, focada na aquisição de bens materiais e na busca de status e sucesso conforme definição da cultura, ótimo! A sociedade incentiva essas características e as encara como saudáveis. 
Agora, se você for uma pessoa mais tímida ou mais introvertida, mais sensível, com ambições ligadas a busca de idéias mais comunitários ou focadas na busca da expressão artística, ou mesmo de uma busca espiritual ou de um sentido para a vida, a situação para você fica mais complicada! 
Se sua vocação, sua forma de ver e estar nesse mundo não estão “na moda” você terá muito mais dificuldade de ser fiel a si mesmo. 
Tenha certeza, não será incentivado por muitos para atender a esse Chamado interno. Muitos podem te chamar de sonhador, de não ter os pés no chão, de se preocupar com “bobagens” ou invés de colocar sua energia na vida “de verdade”. Sua família tende a preocupar-se e com medo de você sofrer e tornar-se um desajustado, tenta te empurrar para o caminho aparentemente mais fácil, o de conformar-se com o que a sociedade valoriza e esquecer o que sua alma e coração pedem. 
Achar também um “lugar ao sol” sendo diferente do que é comumente valorizado não é tarefa fácil! Então atender ao nosso chamado de sermos nós mesmos, quando esse “nós mesmos” não é valorizado pelo nosso meio social e familiar dá muito medo! 
Medo de remar contra a corrente e de nos colocarmos contra quem amamos e quem nos ama. 
Medo de estarmos errados e, como muitos dizem, vivermos num mundo de sonho fora da realidade da vida. 
Medo de não conseguirmos nos virar, sobreviver e nos tornarmos um outsider, um perdedor. 
Medo e muito, da solidão desse caminho! 
Por tudo isso, é que muitas vezes dizemos não ao Chamado para sermos em profundidade nós mesmos: porque é realmente difícil! 
 A etapa da RECUSA AO CHAMADO praticamente ocorre com todos! 
Mas a vida que pulsa em nós, nossa individualidade mais profunda não desiste facilmente! Muitos outros Chamados são recebidos no correr do tempo: parece que eles não param até que estejamos prontos a dar o nosso SIM. 
Agora se nos recusarmos definitivamente a ele, se respondermos um NÃO definitivo ao Chamado a Aventura de nos tornarmos cada vez mais em essência quem somos, perdemos vitalidade, alegria, entusiasmo, sentido. 
Não cumprimos nosso destino, acabamos sendo menor do que nós mesmos! 
E um último lembrete: se você se identificou com aquelas pessoas mais afinadas com os tempos de hoje, mais de acordo com o que a cultura valoriza, pode ser que algum dia, já mais maduro, de repente você comece a sentir que o que você está vivendo é pouco, que a vida não pode ser só isso, que existe em você uma lacuna que bem nenhum, sucesso nenhum pode preencher. 
Então minha amiga ou meu amigo tenho que te informar: você está recebendo seu Chamado para a jornada rumo a uma vida mais plena e rica interiormente! 
 

Esse artigo foi publicado anteriormente no site http://www2.uol.com.br/vyaestelar – na categoria A MULHER E O MITO, na qual escrevo quinzenalmente.
 

Texto e desenhos de Cristina Balieiro, criação gráfica de Beatriz Del Picchia

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