O Feminino e o Sagrado um jeito de olhar o mundo

O Mundo Mágico de Escher

Quando a gente entra numa exposição de artes plásticas de um cara genial, esperamos encontrar expressões serias e compenetradas, certo?
Não nessa. Aqui vemos é pessoas rindo, surpresas como se estivessem num parque de diversões.

Já no térreo, a primeira instalação é um cenário construído de forma a criar uma ilusão de ótica quando se olha através de uma câmera.
Você vai reconhecer a imagem quando a vir, tenho certeza.

Holandês nascido em 1898, Escher morou por vários anos na Itália, que serviu de base para vários de seus desenhos e cenários. Entrou na faculdade de arquitetura, mas logo se definiu como artista plástico. Ligado ao realismo e a matemática, procurava o absoluto, tentando expressar coisas como eternidade e infinitude.

Impressionou-me ver a reprodução de seu ateliê, no subsolo. Sentado na estreita cadeira, ele olhava o mundo através de uma lente que o distorcia, talvez como o enxergasse dentro de si…
Seja como for, ele retratou um mundo de ilusões – você olha para uma gravura, e depois olha de novo, porque nota alguma coisa estranha, que não consegue definir na primeira vez mas que, ali, parece fazer sentido.
Pode ser uma cachoeira com água correndo para cima, escadas que descem e sobem ao mesmo tempo, labirintos sem solução, mandalas infinitas, pássaros que voam simultaneamente para lados opostos ou que se transformam em peixes, compondo a magnífica METAMORFOSE.

Além de gravuras, na mostra há também filmes e instalações com efeitos inusitados produzidos por espelhos, pela perspectiva e pela matemática, muitos dos quais interativos e lúdicos.
Enfim, eu já fui ver essa exposição três vezes, e acho sua obra maravilhosa como o País da Alice.

Escher inspira filmes, clips, desenhos, jogos de computador, esse vídeo que coloquei aí em cima, e mais um monte de coisas…
Olhe só algumas, baseadas em seus trabalhos: uma fase do jogo Sonic, do Sega Mega Drive, a abertura da novela Top Model , que mostra várias escadas, de diversos ângulos, em um mesmo lugar, o filme A Origem (Inception) que utiliza repetidamente a idéia de paradoxos geométricos, inclusive com escadas retorcidas, o videoclipe da canção Around the World, do grupo Daft Punk, o videoclipe da música Drive, do grupo Incubus, começando com uma mão animada desenhando um pedaço de papel e uma segunda mão, para então formar a própria obra de Escher…

Como no caso da maioria dos gênios, não deve ter sido fácil conviver com ele. Sua esposa teve um colapso nervoso, reclamando que “não agüentava mais o mundo em preto e branco dele”. Ele, tristemente, disse que “talvez só servisse para desenhar mesmo”. Só?!?

O Mundo Mágico de Escher
Até 17 de julho
Centro Cultural Banco do Brasil
Rua Álvares Penteado 112 – Centro – SP
 Texto de Beatriz Del Picchia

1 comentário

  1. Anônimo disse:

    Gente, para quem gosta de belezuras, surpresa, repensar suas perspectivas e o que é branco, o que é preto, o que é figura, o que é fundo, essa exposição é IMPERDÍVEL!!!
    Amei especialmente uma gravura ( não lembro o nome)em que vemos abaixo um peixe nadando em um rio, que parece grande, na superfície as folhas que cairam em tamanho menor, em em tamanho menor ainda os galhos da arvore refletidos: é maravilhoso!
    Recomendo muito!
    Cris

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