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O menosprezo pela mãe: breve história de um resgate de valorização feminina

Connie Zweig descreve como se identificou com qualidades masculinas paternas e menosprezou a mãe e irmã, seguindo o modelo tradicional patriarcal que a gente as vezes segue sem pensar e sem querer, só absorvendo a cultura dominante, por osmose, por preguiça, por hábito, por…

“Para as mulheres, o status feminino de segunda classe dificulta a identificação com a própria natureza. Involuntariamente, adotamos um certo conjunto de características para sobreviver, as quais, como a maquilagem, recobrem um outro conjunto de características, menos apropriadas à sobrevivência.

Em retrospecto, vejo minha identificação com o masculino e a rejeição do feminino como a causa de meu desenvolvimento unilateral: Como valorizava os homens e o masculino em detrimento das mulheres e do feminino, tinha poucas amigas mulheres, muitas vezes sendo complacente com elas e considerando suas preocupações como algo trivial. Isto incluía minha irmã, cujo interesse por moda e estilo sempre me pareceu superficial. Desprovida de um senso global de irmandade, eu não podia compartilhar das preocupações sociais e políticas das mulheres.

(…) E fiz o difícil trabalho diário de resgatar aspectos de minha sombra e de minha herança feminina, procurando compreender a identificação consciente com meu pai e o princípio masculino. (…)

Quando resgatei minha mãe da maldição da desvalorização e fiz trabalho com a sombra para compreender melhor minha inconsciente rejeição do feminino, ela começou a adquirir graça e beleza diante dos meus olhos. Os talentos de minha mãe, que tinham permanecido ocultos para mim, de repente me pareceram espantosos: uma artista de extraordinário talento, uma amante da beleza, dedicada à sua arte. E, como alguém que se interessa por psicologia, ela é uma estudiosa da natureza humana, cuja jornada de uma vida inteira para curar a alma mostrou-me o caminho para o trabalho da sombra, e legou-me um enorme presente: o desejo de consciência”.

 

Fonte: livro O jogo das sombras, Connie Zweig & Steve Wolf, Ed Rocco. Ilustração de Kaká, no facebook

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