O Feminino e o Sagrado um jeito de olhar o mundo

O Feminino e os Livros: FEMININO + MASCULINO

FEMININO + MASCULINO – uma nova coreografia para a eterna dança das polaridades, foi escrito pela psicoterapeuta e uma das entrevistadas em nosso livro, Monika von Koss e editado pela Editora Escrituras, na coleção Ensaios Transversais, em 2004. 

Nesse pequeno, mas denso livro, Monika vai tratar dos dois princípios, Masculino e Feminino, com uma vasta erudição, citando inúmeros estudos e autores. Ela vai buscar compreende-los a partir de suas raízes histórica, cultural e psicológica, buscando trazer luz à busca de uma vida onde eles sejam mais equilibrados. 
Vejam o que ela diz na Introdução: 

(…) quando falo do feminino, não me refiro exclusivamente às mulheres. Não falo de anatomia, mas de uma atitude diante na vida, possível de ser manifestada por todas as pessoas. Mas ( e essa mas é meu, Cristina)….O caminho a ser percorrido pode ser diferente para homens e mulheres, pois a “biologia é destino”, não num sentido determinista, mas pelo fato de que viver em um corpo de mulher significa estar sujeita a experiências determinadas biologicamente, como a menstruação, a gravidez, amamentar, ser penetrada, que levam a um modo próprio de perceber e e compreender o mundo, que difere daquele que se origina das experiências decorrentes de viver num corpo de homem. Cada polaridade apresenta qualidades necessárias para o equilíbrio do mundo. Manifestar estas qualidades em sua melhor configuração, sem valorizar uma em detrimento da outra, pode enriquecer nossa vivência e convivência com todos os seres. 

A partir daí, Monika vai fazer um apanhado histórico amplo e profundo do tratamento dado a essas duas polaridades e a seus símbolos na cultura humana. Vai passar pela filosofia indiana, o tantra, o budismo tântrico, o taoismo, o patriarcado, a idade média e o amor cortês, chegando a sociedade moderna, sempre mostrando a interdependência da cultura, da psique e do comportamento das pessoas. Como diz: 

Não existe comportamento humano fora da cultura. Como fator distintivo das sociedades humanas, a cultura sobrepõe uma tela ao mundo natural, organizando-o de tal modo que faz surgir novos elementos, não existentes anteriormente, elementos estes que estruturam as relações e os papéis, orientando o comportamento dos indivíduos em sua vida comunitária. Mas a cultura não é um sistema de significados anterior ao ser humano, nem é algo adicionado a um ser biológico completamente formado. Surge e evolui junto com a humanidade, numa relação de mútua interferência com a mente humana. 

É fascinante “viajar”com a Monika nessa restituição da formação simbólica dos princípios masculino e feminino nas diferentes culturas e épocas, além de acompanhar reflexões que ela faz. Eu achei particularmente instigante o capítulo 3 – A MATERNIDADE NA RAÍZ DA CULTURA. Vejam alguns trechos:

(…) Evelyn Reed também afirma, em seu abrangente estudo a respeito do clã materno, que foram os “instintos nutridores das fêmeas que possibilitaram a elas liderarem o caminho na modificação dos impulsos animais e gradualmente substituí-los por comportamento sociabilizado”. Ter alimento suficiente requeria habilidade e engenhosidade individual e provavelmente levou à utilização de instrumentos orgânicos, como galhos e ossos, para desenterrar raízes ou cortar folhas e frutos, bem como à feitura de redes para pesca. (…) A unidade mãe-criança é a unidade social elementar em qualquer agrupamento humano(…) Pelo vínculo prolongado entre as mães e sua prole, as mulheres se tornaram as portadoras e transmissoras da tradição grupal. 

Em sua conclusão, ela fala de uma forma muito pessoal e que acho muito bela, sobre as polaridades e sobre nós, mulheres e homens: 

Em minha experiência pessoal, me dou conta de que existe um espaço interno que não compartilho com ninguém, pela simples impossibilidade de fazê-lo. Também reconheço um conjunto de experiências que compartilho e posso partilhar com mulheres e não com homens, porque ao fazê-lo percebo que eles não sabem do que estou falando. São, contudo, capazes de respeitar e honrá-las. Do mesmo modo, percebo que existem experiências que os homens partilham e reconhecem entre si e que apenas posso respeitar e honrar como algo que me escapa. Acredito que esse é o eterno fascínio que atrai homens e mulheres e que os faz se encontrarem no vasto continente que se abre entre eles, continente este que se refere às experiências comuns que temos enquanto seres humanos, seja mulher, seja homem. 

Lindo, não? 

FEMININO + MASCULINO não é um livro difícil de ler, porque Monika é muito clara, mas por sua profundidade exige uma leitura atenta e reflexiva (o que, particularmente, acho ótimo). 
E é um excelente “veículo” para ajudar a quem quer pensar/compreender os dois princípios na sua real complexidade e abrangência. 

PS: Monika tem mais quatro livros editados – RUBRA FORÇA, pela mesma editora, HERA – UM PODER FEMININO, por Massao Ohno Editor, TECENDO O FIO DE SEDA – A FIGURA MATERNA NA CULTURA CHINESA, pela Editora Andreoli e AS DEUSAS EGÍPCIAS E O SÉCULO XXI, em co-autoria com Isolde Marx e Maria Helena Tedesco, todos muito bons para quem quer se aprofundar nas questões do Feminino.
Texto de Cristina Balieiro

2 comentários

  1. Anônimo disse:

    O ultimo paragrafo citado,a conclusao, da autora do livro é simplesmente perfeito!!!!!!! Vera Márcia.

  2. Vera Márcia, leia o livro, acho que vc vai gostar bastante! Abraco
    Cris

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