O Feminino e o Sagrado um jeito de olhar o mundo

O Feminino e os Livros: ESPELHOS DO SELF / O FEMININO CONSCIENTE

Escrevo esse post, não para falar e indicar um livro, mas um artigo de um livro. O livro é “ESPELHOS DO SELF – as imagens arquetípicas que moldam sua vida“. Tem como organizadora Christine Downing e foi editado pela Cultrix em 1994. É uma coletânia de artigos de diferentes autores, todos versando sobre arquétipos e imagens arquetípicas. Existem artigos do próprio Jung, da Marie-Louise von Franz, do James Hillman e de outros junguianos e de pessoas não necessariamente junguianos, mas ligados a visão dos arquétipos. 

O artigo sobre qual quero discorrer é O FEMININO CONSCIENTE – NASCIMENTO DE UM NOVO ARQUÉTIPO. Ele foi escrito pela americana Connie Zweig, analista junguiana, escritora e editora. Faz parte da terceira parte do livro: Dimensões Arquetípicas do Ciclo Vital. 

É um artigo pequeno, somente 9 páginas, mas é tão rico que vale a pena indicá-lo como uma belíssima introdução ao tema da busca do que é esse (princípio) feminino consciente. Começa com a seguinte citação do poeta alemão Rainer Maria Rilque, do livro CARTAS A UM JOVEM POETA:

“ Um dia haverá meninas e mulheres cujos nomes significarão mais do que apenas o oposto do que é masculino; significarão algo em si, que nos faça pensar não em alguma forma de complemento ou limite, mas sim apenas em vida e existência: o ser humano feminino”. 

Até agora a consciência do que é ser mulher sempre foi culturalmente determinada pelo contraponto ao homem: a mulher é o oposto do homem, aquilo que ele não é, seu complemento, o segundo sexo, definido pelo primeiro – o masculino – como nos mostrou Simone de Beauvoir. 

Especialmente nos últimos 50 – 60 anos porém, e de forma inédita na história da humanidade, um enorme número de mulheres (pelo menos no ocidente e entre camadas sociais mais privilegiadas) adquiriu um nível de educação, poder e liberdade como nunca existiu antes. 
Isso vem nos permitindo, pela primeira vez , tentar descobrir o que é ser mulher a partir de nós mesmas. Existir não como complemento ou oposto ao homem, mas como uma em si, o ser humano feminino como diz Rilque. 
Podemos usar nosso próprio olhar para olharmos para nós mesmas e não nos olharmos com o olhar dos homens. Isso nos faz poder questionar em profundidade sobre o que de fato é ser mulher: o que nos caracteriza, o que nos define. Estamos adquirindo nossa própria voz! 

É sobre isso o que esse artigo fala. A autora diz que para percorrermos o caminho da nossa auto descoberta precisamos enfrentar primeiro nossas questões com nossas mães e com nossos pais. Depois querermos deixar de refletir o feminino interno dos homens, suas animas e ao mesmo tempo, aprendermos a tornar cada vez mais conscientes as projeções do nosso masculino interno (o animus na linguagem junguiana) nos homens. Dessa forma podemos nos tornar mais inteiras e maduras e num processo lento, individual e coletivo simultâneo, irmos “descobrindo”esse feminino consciente. 
Vale a pena lê-lo e principamente refletir sobre ele. Connie Zweig retoma o tema da Marion Woodman (que inclusive é citada no artigo), mas de forma mais concisa e simples. É por isso que acho uma boa introdução a esse tema tão complexo e, a meu ver, vital para nós mulheres. 

Foquei nesse artigo porque o achei muito relevante para se pensar o Feminino, mas existem outros também que tocam nesse tema. 
Além disso para quem curte a psicologia junguiana e a linguagem simbólica e arquetípica esse livro é “um parque de diversões”!

Texto de Cristina Balieiro

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