O Feminino e o Sagrado um jeito de olhar o mundo

O Caminho nos contos de fada

Essa série é uma versão pessoal de velhas histórias de fadas, dirigida a crianças crescidas, que não perderam o fascínio pelo maravilhoso e nem o senso de humor. Elas falam de um Caminho que percorre as vidas das heroínas e dos heróis dessas histórias, e que talvez passe pelas nossas vidas também.
Os comentários colocados antes do conto não são interpretações, mas apenas algumas dos temas que ele inspirou, dentro da nossa intenção de ligar os mitos ao cotidiano. Se a história ou o comentário disser algo a você também, não hesite em se colocar! >E as ilustrações procuram seguir, brincando, o Caminho do texto.

As histórias estão no meu livro-brochura “O Caminho nos contos de fada”, que fiz quando estava terminando O Feminino e o Sagrado com a Cristina. Estudando contos de fadas (a partir do ponto de vista do Campbell e Jung), me pareceu que uma coisa em comum entre a maioria deles é mostrar a estreita ligação entre o caráter dos heróis e heroínas e as aventuras que eles vivem.
Essa ligação eu enxerguei como um Caminho.

A função desse Caminho é unir o caminhante á sua própria história, porque quem toma o Caminho errado pode viver a história errada.
Por exemplo, se Rapunzel pegar o Caminho da Cinderela, o sapatinho não caberá no seu pé, ela não se casará com o Príncipe e, provavelmente, vai continuar trabalhando de graça para a Madrasta.
Da mesma forma, quando a gente tenta fazer um Caminho que não é o nosso, as coisas tendem a dar errado – ou, ainda pior, a dar certo da maneira errada.

Claro que os heróis e heroínas dos contos de fada costumam pegar o rumo certo.
Mas nem para eles é fácil conseguir isso. Por exemplo, para entrar no Caminho, Rapunzel teve de fazer uma renúncia e Branca de Neve arriscou a vida.
De todo modo, na maioria dos casos, o Caminho leva à transformações pessoais, a começar por mudanças na forma de enxergar o mundo. Assim, o dono do Gato de Botas só (só?) precisou confiar cegamente nele, mas Bela Adormecida teve de acordar de seu lindo sono.
Às vezes o Caminho é solitário, como para o Príncipe Sapo, e às vezes exige rupturas, como para Peter Pan e Wendy.
Pode haver trechos monótonos e difíceis, como a cotidiana trabalheira de Aladim, e também finais abruptos, como aconteceu com João Pé de Feijão.
Então, podemos pensar que o Caminho terminou, mas talvez apenas esteja fazendo uma curva e por isso não o vemos mais. Assim, a Mulher Foca mudou, e seguiu adiante de outra forma e em outro meio.

Apesar de tantas diferenças, todas as histórias têm algo em comum: as situações levaram o caminhante ao melhor de si mesmo, e o caminhante levou as situações ao melhor delas mesmas.
É como se o mundo interno – o que o caminhante é – entrasse em sintonia com o mundo externo – suas circunstâncias.
Foi assim que a pobre Gata Borralheira se tornou a Princesa Cinderela.
Esse final feliz é o que chamo de achar o Caminho certo.
Para mim, é disso que tratam os contos de fada.

Texto e ilustração de autoria de Beatriz Del Picchia. 

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1 comentário

  1. E que cada um de nós possa encontrar o seu caminho… Parabéns! Beijos.

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