O Feminino e o Sagrado um jeito de olhar o mundo

Nós mulheres e a Lua


Nós todos, seres que habitam a Terra, humanos e não humanos somos filhos do Sol que nos traz Luz e Calor. Mas, nós mulheres, somos também filhas da Lua. De deusas Lua, como Jacy. E dela “herdamos” características.
A Lua, que leva cerca de 30 dias para dar a volta em torno da Terra, tem um ciclo complexo, com mudanças diárias e quatro fases diferentes – crescente, cheia, minguante e nova. O Sol tem um ciclo pequeno e marcado: de dia está presente, mesmo que encoberto por nuvens ou chuva e de noite ausente, reaparecendo nas primeiras horas da manhã. É uma fonte constante de luz e calor.
A Lua segue uma ordem diferente. Aparece a noite e brilha na época da lua Cheia, seu brilho pode ser difuso e sua luz diminuída nas épocas de lua Crescente ou Minguante e some completamente do céu, deixando a noite numa tremenda escuridão, na lua Nova. E as vezes nessa época, surge durante o dia, numa versão pálida, mas visível. Além de todas essas mudanças, sua hora de surgir no céu varia diariamente. Porém, apesar dessa mutabilidade, tem um ciclo constante. A lunação, o tempo transcorrido entre duas luas novas consecutivas dura aproximadamente 29 dias e meio e nesse tempo a Lua vive sempre suas quatro fases. E, ao acabar uma lunação a Lua sempre recomeça outra.
Agora, vamos pensar em nós, mulheres. Assim como a Lua somos essencialmente cíclicas e mutáveis. É só pensar em nosso ciclo hormonal mensal que fica muito evidente nossa inerente ciclicidade. E ainda para reforçar nosso “filiação” lunar, temos durante nossa idade fértil, normalmente um ciclo menstrual de duração muito parecida com o ciclo da Lua: vinte oito ou vinte e nove dias. Ou seja o ciclo lunar e o ciclo menstrual médio tem uma duração quase igual. Inclusive a palavra menstruação é etimologicamente relacionada a Lua: é derivada do latim mensis (mês) e do grego mene (lua).
Da menarca a menopausa vivenciamos através de nosso corpo a experiência concreta dos ciclos. E durante esse tempo entre o início e o fim da menstruação, que dura em média uns quarenta anos, nosso ciclo se repente mensalmente a não ser que estejamos grávidas, amamentando ou como hoje é possível, o interrompamos artificialmente. É a constância do ciclo dentro da sua mutabilidade, assim como a Lua.
Mas isso não acontece só como uma experiência física. O corpo e a psique masculina são regida pelo ciclo do sol, dia/noite. O o corpo e a psique das mulheres são regidos, além desse ciclo solar de 24 horas, pelo ciclo lunar, de alteração diária e com duração aproximada de 29 dias. Isso faz com que o ritmo da psique e de sua energia nas mulheres seja muito mais complexo e muito mais mutável.
Daí poder parecer que nós mulheres temos uma disposição mais flutuante. Para nós, as circunstâncias externas têm naturalmente que ser levadas em conta para definir o comportamento adequado, mas pelo caráter do princípio lunar que vive dentro de nós com suas disposições internas sempre mutáveis, podemos ter comportamentos diferentes no tempo e aparentemente contraditórios. Isso porque a mudança não acontece só na vida externa, mas é uma constância na vida interna feminina, que tem seus fluxos e refluxos de energia psíquica.
Como diz a junguiana Esther Harding: “…para as mulheres a própria experiência da vida é cíclica. A força da vida se movimenta e flui em sua experiência efetiva, não só em um ritmo diurno e noturno como para o homem, mas também segundo os ciclos lunares…”

Trechos do livro O LEGADO DAS DEUSAS 2

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