O Feminino e o Sagrado um jeito de olhar o mundo

Individualismo x Individualidade


Como nesse blog e no livro falamos muito em individualidade, algumas pessoas torcem o nariz, confundindo com individualismo.
Nada disso.

Segundo o dicionário, individualismo é uma ‘teoria que privilegia o indivíduo em detrimento da sociedade’.
individualidade é “o conjunto de atributos que constitui a originalidade, a unicidade de alguém ou de algo“. Não é egoísmo, egocentrismo, misantropia, cada-um-por-si.
Individualidade é saber e ousar ser o que se é, num processo contínuo de auto-descoberta e de auto-expressão.
Processo, nunca obra acabada: com 12 ou 80 anos, continua.

E para descobrir quem somos, precisamos dos outros.
Através deles experimentamos amar, odiar, aprender, trocar, ceder e firmar. Somos continuamente estimulados, reprimidos, enriquecidos ou bloqueados pelos outros, e fazemos o mesmo com eles.
Seres humanos são seres em relação.

O que nós defendemos aqui é que a gente não se deixe tragar pelos modelos de sociedade de massa na qual vivemos.
Se nos deixarmos levar, viraremos apenas mais uma peça numa engrenagem, meros robôs replicantes do que as ideologias, as religiões e as autoridades (da televisão, da moda, da família, do governo ou do que seja) pregam.
Se deixarmos que a preguiça, o medo, a inércia e as respostas prontas decidam por nós, não só nossa própria plenitude de vida, mas também a nossa comunidade será prejudicada.

Outro dia, fui a uma reunião onde se discutiu providencias para melhorar certo setor da sociedade.
Entre as pessoas que se manifestaram, atacando ou defendendo projetos, fiquei observando o quanto são palpáveis as motivações de cada um.
Num falava mais alto a arrogância, em outro o esforço de legitimar a própria posição, em muitos a vaidade e, felizmente, em alguns o impulso de cooperar e ajudar.

Estou querendo dizer que, naquela reunião onde se visava o coletivo (assim como numa votação, numa greve, numa organização), a cada um cabe a sua posição.
Para o bem, para o mal, fazendo o que podem ou conseguem, são os indivíduos que agem, um a um. É para esse indivíduo que falamos aqui.
E, afinal, é assim que se forma o coletivo: de um em um.

Quanto mais individualizado (não individualista!), for cada um, melhor para todos.
Quanto mais individualizado se é, maior a liberdade, a capacidade e a coragem para analisar, julgar, inventar, transformar e contribuir de verdade para a sociedade.
Quanto mais sociedade de massa nos tornamos, mais necessários são os que, buscando a plenitude de si, fazem suas Jornadas de Heróis.
E a plenitude de si está sempre a serviço da humanidade.
Ou, como foi melhor dito por Joseph Campbell (como colocamos em nosso livro):

O herói pode trazer a sabedoria de volta ao reino humano, onde a benção alcançada pode servir à renovação da comunidade, da nação, do planeta ou dos dez mil mundos.” 

 Texto e criação gráfica de Beatriz Del Picchia

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