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Heroínas do Brasil – Rose Marie Muraro

Rose Marie Muraro (1930/2014) escritora, editora, intelectual e feminista
RoseMMuraro
Rose nasceu praticamente cega em uma das mais ricas famílias do Brasil nos anos 1930/40. Aos 15 anos, por ocasião da morte repentina do pai e das lutas pela fortuna, rejeitou sua origem e dedicou o resto de sua vida à construção de um novo mundo. Exatamente nesse ano conheceu o então padre Helder Câmara e se tornou membro da sua equipe. Estudou Física e Economia. A sua personalidade singular deu-lhe força e determinação suficientes para tornar-se uma das mais brilhantes intelectuais de nossos tempos.
Nos anos 70, foi uma das pioneiras do movimento feminista no Brasil. Nessa década, como diretora da Editora Vozes, publicou junto com Leonardo Boff, mais de 1600 livros. Publicou livros polêmicos, contestadores e inovadores alinhados a valores sociais modernos. Nos anos 80, quando a Igreja adotou uma postura mais conservadora, passou a ser perseguida por seus ideais. Foi para a editora Rosa dos Tempos, do grupo Record, onde publicou diversos títulos ligadas a questão feminina, permanecendo sua editora até o ano 2000. A atuação intensa no mercado editorial foi fruto de sua mente libertária, cuja visão atenta as transformações da sociedade pode ser comparada a de muito poucos intelectuais da atualidade. O trabalho de Rose, como editora, foi um marco na história da resistência ao regime militar, e devido a este trabalho, recebeu do Senado Federal o Prêmio Teotônio Vilela, em comemoração aos vinte anos da anistia no Brasil.
Ao longo da vida, escreveu também 44 livros — como “Os seis meses em que fui homem” (1993), “Por que nada satisfaz as mulheres e os homens não as entendem” (2003) — que venderam mais de 1 milhão de exemplares. Também foi palestrante nas universidades de Harvard e Cornell, entre tantas outras instituições de ensino norte-americanas.
Rose Marie foi eleita, por nove vezes, “A Mulher do Ano”. Em 1990 e 1999 recebeu da revista Desfile o título de “Mulher do Século” e da União Brasileira de Escritores o de “Intelectual do Ano”, em 1994. Ganhou também o Prêmio Bertha Lutz em 2008 e foi nomeada pelo Congresso Nacional «Matrona do Feminismo Brasileiro».
Em meados da década de 1990, Rose desafiou os próprios limites quando, aos 66 anos, recuperou a visão com uma cirurgia e viu seu rosto pela primeira vez afirmando: “Sei hoje que sou uma mulher muito bonita”.
Morreu aos 84 anos deixando cinco filhos, doze netos e quatro bisnetos. E deixou como herança cultural o Instituto Cultural Rose Marie Muraro!
Próxima quarta-feira, dia 03/08: ZILDA ARNS

2 comentários

  1. Ana disse:

    Os livros da Rose são fantásticos!!!!!!!! Tenho váaarios e outros na lista pra comprar

  2. Andreia disse:

    Maravilhosa a Rose na versao da Cris. AMEI!

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