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Heroínas do Brasil – Carlota Pereira de Queirós

Carlota Pereira de Queirós, (1892 / 1982) médica e política brasileira.
Carlota
Carlota nasceu em São Paulo em 1892, de uma família abastada de fazendeiros pelo lado paterno e de uma família de políticos pelo lado materno. Foi uma mulher de vanguarda para o seu tempo, não aceitando as limitações infligidas pela sociedade.

Destacou-se como aluna e formou-se professora em 1920, trabalhando desde cedo como inspetora de diversas escolas. Ingressou na Faculdade de Medicina e Cirurgia de São Paulo, mas, no início dos anos de 1920, transferiu-se para a Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, onde se graduou, em 1926, com a tese Estudos sobre o Câncer, monografia pelo qual ganhou o Prêmio Miguel Couto.
Fundou e dirigiu clínicas pediátricas no Rio de Janeiro e em São Paulo. Em 1929 foi comissionada pelo governo paulista para estudar dietética infantil em centros médicos da Europa. Esteve na Suíça, França e Alemanha fazendo cursos de aperfeiçoamento e trabalhando com médicos célebres.

Teve notável atuação durante a Revolução Constitucionalista de 1932, quando o estado de São Paulo se rebelou contra o governo provisório de Getúlio Vargas. Junto com a Cruz Vermelha Paulista organizou um grupo de 700 mulheres no “Departamento de Assistência aos Feridos”, além de dirigir a “Oficina de Costura”, trabalhos que além de lhe ter despertado para a vida púbica, deu-lhe visibilidade. Em novembro de 1932 fez parte da comissão que foi ao Hospital Central do Exército, no Rio de Janeiro, para buscar os últimos prisioneiros constitucionalistas que ainda estavam internados.

Em 1933, foi a única mulher eleita deputada, entre 254 cadeiras, à Assembleia Nacional Constituinte, por São Paulo e a primeira deputada federal da história do Brasil. Na Constituinte, Carlota integrou a Comissão de Saúde e Educação, trabalhando pela alfabetização e assistência social. Foi de sua autoria o primeiro projeto sobre a criação de serviços sociais, bem como a emenda que viabilizou a criação da Casa do Jornaleiro e a criação do Laboratório de Biologia Infantil.
Após a promulgação da Constituinte em 17 de julho de 1934, teve o seu mandato prorrogado até maio de 1935. Ainda em 1934, ingressou no Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo. Eleita pelo Partido Constitucionalista de São Paulo, no pleito de outubro de 1934, permaneceu na Câmara até 1937, quando foi instaurado o Estado Novo.

Carlota sempre exerceu sua profissão. Ingressou como membro titular da Sociedade de Medicina e Cirurgia de São Paulo em 1941. Pertenceu também a Association Française pour l’Étude du Cancer, Academia Nacional de Medicina de Buenos Aires e se tornou a primeira médica honorária da Academia Nacional de Medicina, em 1942. Em 1950 fundou a Academia Brasileira de Mulheres Médicas, entidade que presidiu durante alguns anos.

Destacou-se também como escritora e historiadora publicando “Um Fazendeiro Paulista no século XIX” e “Vida e Morte de um Capitão-Mor”. Além disso ainda publicou ainda diversos artigos, advogando igualdade social e melhoria no tratamento da mulher brasileira.
Carlota Pereira de Queiroz faleceu em São Paulo, em 1982, aos 90 anos.

Próxima quarta-feira, dia 20/07: DULCINA DE MORAIS

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