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Filme: O gato do rabino



Depois de engolir um papagaio, o gato do rabino começa a falar. Como ele é apaixonado pela sexy filha do rabino, aproveita para solicitar a ele que faça sua conversão ao judaísmo para poder ficar com ela.
Mas o rabino nega, dizendo que, além de ser um animal, seu dom foi adquirido por meio de um assassinato, o do papagaio. Isso gera uma discussão teológica entre os dois que rende pano prá manga – e o início desse delicioso filme de animação.
Antes de resolverem a questão, um pintor russo fugindo da perseguição judaica em seu país (a historia se passa na Argélia dos anos 30) vai dar na casa do rabino, que acaba entrando numa espécie de depressão.
E parte – com o gato, o russo, um amigo dervixe e um milionário niilista – para uma jornada pela África em busca de uma mítica Jerusalém.
Como eu gostaria de estar nessa viagem! Em meio a aventuras, discute-se de tudo: amor, tolerância, fundamentalismo, amizade, Deus, multiculturalismo, utopias.
Encontram Tintim, que parece bobo comparado com o esperto gato, cuja única fraqueza é a paixão pela filha do rabino.  
Mas quem se compara em malandragem com esse gato?  Ele não tem nome, não tem religião, não é muito bonito, mas que estilo!
Já o filme recebeu alguma critica justamente a respeito de seu estilo gráfico, que dizem os entendidos ter alguns tropeços, apesar de ter sido vencedor do Cesar 2012 de melhor animação.
Juntando quatro álbuns de  HQ do premiado Joann Sfar (os dois primeiros foram publicados aqui pela Jorge Zahar), co-dirigido e roteirizado por ele mesmo, o enredo resulta um pouco atomizado ou sem cerzimento, mas nem por isso menos divertido.
Para mim, só o conteúdo já vale. Mas alem disso o visual é belo, a musica muito boa e, claro, tem o gato.
Se eu fosse a filha do rabino, não hesitaria um segundo.
Texto de Beatriz Del Picchia
 

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