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Filme: Lincoln e Daniel Day-Lewis



– Será que escolhemos quando nascer ou  nos ajustamos à época em que nascemos? pergunta Lincoln a um de seus ajudantes.
– Na minha opinião, você escolheu – responde ele.
Esse pequeno diálogo do filme resume o quanto Lincoln estava talhado, determinado e ajustado ao papel que desempenhou na política: na guerra de secessão, na libertação dos escravos, na  formação da identidade nacional e mais tarde a se transformar em uma grande figura mítica da história americana.  
Esse dialogo também pode resumir o quanto Daniel Day-Lewis se mostra talhado, determinado e ajustado ao papel de Lincoln nesse filme.
Sua atuação é soberba, para dizer o mínimo. Ele é o Lincoln grande contador de “causos”, o Lincoln angustiado chefe da sangrenta guerra civil, o determinado defensor da libertação dos escravos, o resignado marido de uma neurótica (ou, como ela se defende, “uma pessoa comum submetida à muita pressão”), o pai cauteloso e ambivalente.
Leio no jornal que Daniel fez um trabalho de intensa concentração para o papel, desde ler um monte de biografias de Lincoln até se recusar a falar com qualquer pessoa, exceto o diretor, durante as filmagens. Uma espécie de imersão, excessiva em sua radicalidade como qualquer paixão sem limites.
O filme se passa em alguns dias bem no finalzinho da guerra, quando Lincoln teve de enfrentar difíceis escolhas e usar métodos politicamente duvidosos para conseguir fazer passar a emenda que dava liberdade aos escravos.
É denso, tenso, escuro, masculino, mas, além de Day-Lewis, a direção (apesar de mais sóbria que o habitual) de Spielberg  tem brilho bastante para nos deixar grudados nas cadeiras.
Enfim, um drama político de época, que entre outras coisas ainda traz embutida a pergunta sempre atual: os fins justificam os meios? 

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