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Filme Além da vida: tratando da vida após a morte com competência

Esse filme conta a historia de três pessoas afetadas pela morte: uma jornalista que passa por uma experiência traumática, um garoto que perde um parente próximo, e um vidente que não aceita seu dom.
Aliás, eu vi acontecer o mesmo com algumas pessoas com dons paranormais; parece que nem sempre é fácil lidar com isso. Já o garoto faz uma mini jornada do herói, na qual chega à bliss, relacionada com sua própria identidade.
Enfim, os três passam por dificuldades muito humanas, e terminam por se encontrar num final pleno, para cima.

Diferente de tantas obras com o mesmo tema, esse não é um suspense convencional, não é pesado demais, e nem é comprometido com uma visão pré concebida sobre a vida no além.
Do que gostei em especial é que o filme fala do medo, da negação e da fuga com que as pessoas costumam tratar desse assunto. Num trecho do filme, a jornalista até pergunta: – Mas por que esse tema desencadeia tanta hostilidade e ironia?

De certa forma, discutir se há vida depois da morte, hoje em dia, se equipara a discutir sexo no século XIX: parece um tabu, do qual as pessoas “cultas” fogem.
Em alguns meios intelectuais ou pragmáticos demais, nem sequer é permitido fazer perguntas sobre isso, quanto mais ir atrás de eventuais tentativas de respostas, pesquisas, etc.

Existe muita bobagem a respeito, é claro, assim como há muita bobagem sobre qualquer assunto. Mas não nesse filme. Para mim, uma de suas qualidades é colocar a questão na mesa, sem tentar dar soluções fáceis para o mistério.
Até acho que, muitas vezes, não são as respostas, mas as perguntas bem feitas que nos levam ao caminho do que procuramos.

Dirigido por Clint Eastwood com a competência de sempre, o filme traz bons atores (Cécile de France está com um cabelo sensacional) e belas locações em Paris, Nova York e Londres.

Além disso, gente, há uma cena onde um casal de olhos vendados experimenta sabores numa aula de culinária, tão sensual e delicada que é de ficar lambendo os beiços, felizes por estarmos vivos…

Enfim, o mistério persiste, mas o tabu é questionado. Gostei.
 Texto de Beatriz Del Picchia

5 comentários

  1. Oi Cris,
    Adorei o seu texto. Também assisti ao filme. Fiz algumas reflexões em meu blog sobre o fato dos personagens estarem "mortos" em vida. Para mim, o diretor nos oferece uma oportunidade para pensar a respeito.
    Não sei se você viu o novo desenho/filme da Disney: Enrolados. É muito especial. Conta a trajetória de mais uma heroína, que sai em busca de um sentido para a sua vida…
    Não perca. Bj.

  2. Anônimo disse:

    Liliana, já vi ENROLADOS e também adorei. Mais para a frente vou postar um comentário sobre ele.
    Abç
    Cris

  3. Eloy disse:

    Este comentário foi removido pelo autor.

  4. Eloy disse:

    Oi Bia…realmente a leveza em que o filme é conduzido é muito diferente do que já vimos na telona. Normalmente em outros filmes as situações se encontram em baixa luz. Nesse filme a luz é o tempo inteiro apresentado pra nós, mesmo na cena em que a protagonista está debaixo d'água…Entre tantos detalhes, o que me chamou a atenção foi os encontros, em nossa jornada, em nossa busca os encontros nos trás significados e ensinamentos. O Clint Eastwood, vem tratando sempre em seus de uma forma muito próxima de nós, questões que nos são pertinentes: a perda, a busca por um lugar, o ideal, a conquista, a dor, o encontro, o ensinamento, o entendimento do mundo e a felicidade de alguma maneira.

  5. Eloy, agora que voce chamou a atenção sobre isso vejo que tem toda razão. Os encontros são cheios de força, de sicncronicidade,beleza.
    No meu cometario acima eu me concentrei no tema vida apos a morte, mas de fato o Clint também enfatiza mais vida na vida!
    Bia

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