O Feminino e o Sagrado um jeito de olhar o mundo

Discutir a relação?

O miolo do Jardim do Luxemburgo, em Paris, é um lugar que adoro: um semi circulo de jeito feminino, rodeado como está por estátuas de Rainhas, Santas e Damas da França.

Nessa fotografia, a Rainha parece brava ou ofendida com o homem, que tira uma soneca sem ligar para ela e para o belo lugar onde está.
Isso me faz pensar que dizem que os homens não escutam suas mulheres, pelo menos tanto quanto elas querem ou necessitam. Ou não escutam o que se passa entre os dois, fugindo tanto das próprias percepções quanto de conversas sobre a relação entre ambos. A tal mal falada “discutir a relação”.
Isso é verdade ou mentira?

Nessa concepção, os homens dão menos importância, ou expressam menos a importância (que no fundo talvez dêem) às relações. E as mulheres insistem…
Ou não, porque também se ouve mulheres se vangloriarem de “nunca discutir a relação”.
Fazer isso parece uma chatice, uma fraqueza sentimental, ou coisa assim.
E, de repente, o homem anuncia que está com outra pessoa, ou sem mais nem menos a mulher pede o divorcio, em ambos os casos para grande surpresa do outro.

De braços cruzados, essa Rainha olha de cima para baixo, imobilizada numa postura majestosa e exigente; já ele, embora de carne e osso, está dormindo, inconsciente, e portanto não tem mais mobilidade do que ela…
De certa forma, ambos são de pedra.

Alguns de nossos conceitos e idéias sobre o amor talvez também estejam um pouco assim. Empedrados, exigentes, inconscientes… paralisados em uma roupagem de outro século.
E será que vivemos histórias que combinam ou que contradizem o que se divulga sobre o amor?
A realidade não pode ser mais rica que as lendas? Se você contar seu grande caso amoroso, será que ele não fica mais bacana que o da novela?
Até que ponto o amor é também uma forma de fazer a Jornada do Herói?

Nós não temos essas respostas, mas temos muitas perguntas!
Então, estamos começando outro projeto, com o nome de Mitologia do Amor, para discutir a relação entre o amor e a mitologia.

Mitologia nos dois sentidos do termo, o correto e o errado.
Correto no sentido de mitologia como ligação entre o mundo simbólico e o mundo cotidiano, entre a vida concreta e a vida interior.
Errado no significado deturpado de mitologia, que é ilusão ou mentira. As mentiras que o sistema introduz na forma de idéias pré concebidas, por exemplo. É importante conhecer o inimigo!
E o amor que focamos é naquele sentido mais passional, romântico, sensual, entre dois parceiros de qualquer sexo.

A Cristina já colocou aqui uma primeira questão, no artigo sobre Frida Khalo e Geórgia O´Keefe. É assim que nós caminhamos num assunto: colocando perguntas e ouvindo as respostas. Em paralelo, claro que também fazemos pesquisas e leituras, ampliando os pontos de vista.

Enfim, gente, nós duas queremos discutir a relação.
Vamos trazer postagens nessa nova sessão do blog, vamos fazer grupos de discussão, e estamos abertas a comentários e emails. Participe!
 Texto e fotos de Beatriz Del Picchia

3 comentários

  1. pitya disse:

    Muito engraçado… lendo essa coluna, percebi que eu não sou a unica que quer conversar e o marido nem liga.Sim!! É importante conhecer o parceiro, importante saber com pensa.. Ainda não consegui conversar, pois no meio da conversa vem discusão, negando-se a falar ..eu fico triste..pena

  2. Pois é, também acho uma pena e parece ser uma experiencia recorrente entre mulheres e homens. Por que será que isso acontece?

  3. Anônimo disse:

    Acho q acontece por que somos mulheres e eles homens…Somos bem diferentes dls em uma relação.As vezes acho até melhor me calar p não discutir,mas quem disse que consigo.

Deixe uma resposta para Beatriz Del Picchia Cancelar resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *