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Como ensinar crianças a pensar, segundo o xamã Bear Heart


Acho que esse tipo de ensinamento não só induz a criança a pensar como também a leva a ir conhecendo a si mesma. Bem diferente da nossa cultura de massa, na qual quem quer ser íntegro, coerente e criativo tem lutar duramente primeiro para se conhecer e  depois para fazer valer suas escolhas, não é verdade?
 Nós não aprendíamos apenas sobre como caçar ou sobre historias da tribo. Crianças tinham uma educação muito mais completa, dada pelos anciões.

Por exemplo, um ancião fez uma roda comigo mais dois outros meninos adolescentes, e nos propôs essa questão:

– Suponha que sua mulher e filho estão se afogando no rio. Qual dos dois você salvaria?

Um menino respondeu: – Eu salvaria minha mulher.

O ancião perguntou o motivo dessa escolha:

– Por que?

– A criança é inocente e pode ir embora sem entender ou sofrer. Minha mulher e eu poderíamos ter outro filho depois.

Então o ancião perguntava para outro:

– E você?

– Eu salvaria minha criança.

– Por que?

– Minha mulher e eu já teríamos vivido uma vida juntos, e a criança precisa ter uma chance de viver sua vida.

– E quanto a você?

Eu respondi:

– Eu sei que amaria minha criança de um jeito especial, e de outro jeito especial amaria minha mulher. Pode ser que nos afogássemos todos, mas eu tentaria salvar os dois.

Nenhuma dessas respostas estava certa ou errada. O que o ancião estava fazendo era nos ensinar a pensar, a estabelecer prioridades e a entender os motivos de nossas ações.”
Historia traduzida por mim, tirada do livro “The Wind is my mother”, de Bear Heart e Molly Larkin.

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