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Casa interna, casa externa: psicologia e arquitetura

O lugar onde moramos não é uma coisa sem vida, constituído apenas por tijolos, moveis e objetos inertes, uma espécie de máquina para ser usada por máquinas.
Pelo contrário, cada casa tem uma atmosfera própria, feita de uma mistura de suas condições geográficas, das impressões nos que trazem suas formas e materiais, das histórias dos objetos que ali estão, e das energias das pessoas que lá habitam.
Essa atmosfera atua em nós, e nós atuamos nela.

Nós estamos dentro de nossa casa, mas de certa forma nossa casa também está dentro de nós, influenciando nosso humor, disposição, sentimentos, e mais tarde fará parte de nossa memória.Tratando justamente dessa influencia mutua, uma escritora disse: “sou o espaço onde estou”.*

Somos espaços externos, e somos espaços internos, dentro da nossa cabeça. Por isso, a Cris e eu dizemos que arquitetos e psicólogos tem algo em comum…
Aliás, os psicólogos afirmam que, quando uma criança é feliz, desenha uma casa clara e alegre, e, quando é infeliz, desenha casas escuras e sombrias. É a sua própria vida que a criança está representando!

Da mesma forma, aquela bagunça que o adolescente deixa no quarto indica o processo de reorganização psicológica pelo qual ele está passando por dentro.

Esses dois exemplos, que mostram como os espaços internos e externos se confundem, indicam a importância de morarmos em um lugar que favoreça e expresse o nosso jeito de viver, sendo um pouco como somos.

Em outras palavras, nossa casa externa tem de combinar conosco; senão, mesmo que seja sofisticada e bonita, não vai haver harmonia nessa influencia mutua.
E nossa casa interna, mais ainda.

* A poética do espaço, de Gaston Bachelard, Ed Martins Fontes

Texto e fotos de Beatriz Del Picchia, desenhos Cristina Balieiro

1 comentário

  1. Ana Caruso disse:

    CONCORDO EM GÊNERO, NÚMERO E GRAU!!! Talvez minha desilusão com a arquitetura venha exatametne disso: muita pose e pouco conteúdo…
    E talvez exatamente por isso eu esteja entrando na psicolgia pelas beiradas… Pelas beiradas a coisa é menos impessoal…

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