O Feminino e o Sagrado um jeito de olhar o mundo

A Grande Mãe


“Na figura contemplativa de Henri Moore, a Imperatriz aparece sob um aspecto mais terreno, porém igualmente dominador, como a Grande Mãe.
Inclinada para trás, examina, completamente à vontade, o seu império, que é toda a natureza. Embora relaxada, está sempre atenta à atividade silenciosa e secreta, escondida de nós: o movimento da seiva nas plantas, o abrir das minúsculas sementes enterradas na terra. Ouve a musica das correntes subterrâneas.” *

Ela é a Boa Mãe, que embala sua criança com cantigas de cachoeiras e a refresca com brisas do mar. Supre todas as fomes gerando o trigo nos campos, inventando o pão e dando sabor ao vinho.
Por seu filho, ela abre mão de seu dinheiro, perde a saúde e noites de sono – mas cobra tudo isso com juros, quando menos se espera.

Porque a Grande Mãe também é a Mãe Terrível, que inunda os filhos com enchentes de exigências, que os abala com terremotos emocionais, que os seca com carência de afeto. A mesma Mãe que delicadamente solta as asas da borboleta de seu casulo faz despencar barrancos que soterram inocentes em túmulos prematuros. A mesma Mãe que sufoca também vai apoiar e defender o filho contra o mundo todo, à custa de sua vida se for preciso.

Todos os dias em nossos jardins vemos sua alma ambivalente em atividade…
Foi ela quem forneceu a inspiração criadora que tornou possíveis as nossas aeronaves, e é ela também, através de sua atração gravitacional, quem procura puxá-las de volta para seu bojo” *

Ela é um pacote completo, e nenhum ser humano recebe dela apenas as partes “boas” (seria até o caso de perguntar se o que chamamos de parte “boa” é boa mesmo, mas isso é outro assunto).
As vezes queremos ser, ou queremos que nossas mães sejam, apenas a Boa Mãe. Mas como seria possível, se a Grande Mãe é muito mais do que isso? Ela
é imensa e misteriosa, além do bem e do mal, o Escuro Portal de Todas as Maravilhas, como diz o Tao Te Ching.
Somos seus filhos, e somos como ela mesma, quando nos tornamos mães – não apenas de filhos biológicos, mas de tudo que geramos e criamos.

Ora crianças, ora mães, oscilamos entre a Mãe Terrível e a Boa Mãe, ninados na cadeira de balanço do tempo que nos leva para lá e para cá, para lá e para cá…
No equilíbrio da posição central fica o livre arbítrio, o pequeno espaço de consciência que conseguimos alcançar.
E nessa amostra de paz além do tempo e das circunstancias talvez esteja o melhor presente que podemos dar a nós mesmas, a nossas mães e à própria Terra.

*textos extraídos do livro Jung e o tarô- uma jornada arquetípica, Sallie Nichols, Ed Cultrix

3 comentários

  1. Adorei! Conseguiste colocar em palavras este turbilhão de energias que é a mãe. E por ser turbilhão, às vezes tão difícil de se compreender… lindo texto! Beijos!

  2. Que bom que voce gostou, Clarissa. Acho que temos de honrar a Grande Mãe em todos os seus aspectos… bjs

  3. Maricota disse:

    Obrigada, Cris e Bia :0)
    A essência da redenção.
    Que presente!
    Beijos e mais beijos,
    Mariana

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