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A deusa Pele e a raiva – parte 2

Continuando a falar da deusa havaiana Pele e da raiva.

A questão é aprender a lidar com nossa própria raiva de forma adulta. E não tem nada a ver com comportamentos agressivos, grosseiros, hostis: nada! Como fazer isso?
Em primeiro lugar admitirmos, sem julgamento ou culpa, que estamos sentindo raiva. Depois nos perguntarmos interiormente e de forma a mais honesta possível o porquê a estamos sentindo.

As razões podem ser muitas, mas quero falar de quatro categorias de motivos para sentir raiva e como lidar com cada uma delas.
Primeiro a raiva pode ser uma reação imatura e infantilizada diante de frustrações a nossos quereres. Quero que o outro se comporte como eu quero ou que as coisas aconteçam como eu quero e quando isso não acontece fico com muita raiva do outro e/ou da vida. Essa é uma reação típica de criança mimada que não aceita os limites aos próprios desejos, nem os direitos dos outros. Então ao invés de aceitar que às vezes a gente ganha e às vezes a gente perde, “bate os pés no chão” de birra e/ou fica emburrada.
Nesse caso tem que haver um trabalho pessoal e ativo de amadurecimento pois esse tipo de raiva é incompatível com um ser humano adulto.

Outro tipo de raiva acontece quando vamos engolindo com constância “pequenas raivinhas”, quando não colocamos limites em comportamentos abusivos porque não queremos conflitos ou desarmonia, até que um dia uma pequena questão faz transbordar todo esse lixo raivoso acumulado e explodimos como um vulcão.
Aí a questão não é o transbordamento da raiva, mas o aceitar em pequenas doses o que nunca deve ser aceito. O que há que se fazer nesse caso é repensar o porquê deixamos as coisas chegarem aonde chegaram.

Outra qualidade da raiva acontece quando estamos muito cansadas e estressadas com as demandas da vida e explodimos com alguém que muitas vezes não tem nada com isso, só “paga o pato”.
Nesse caso o que temos que fazer é humildemente aceitar que somos humanas e falhas, de forma verdadeira pedirmos desculpas a quem magoamos e repensar como podemos mudar algo em nossas vidas para não ficarmos emocionalmente tão abaladas.

A última categoria de raiva é aquela construtiva e saudável. Aquela que nos impele e nos dá força para mudar aquilo que nos faz mal, nos prejudica, nos ameaça, nos diminui, nos aprisiona, nos debilita, nos deprime, seja uma pessoa, um relacionamento, um trabalho, um estilo de vida.
Às vezes é só ao nos permitir ficar com raiva, com muita raiva de quem e/ou do que nos faz sentir assim é que encontramos força para sair da situação. Às vezes é a raiva legítima que nos impele para a ação, é ela que como a lava do vulcão de Pele cria o chão onde podemos construir a mudança necessária para a busca de uma vida melhor e mais verdadeira para nós.

Trechos do livro O LEGADO DAS DEUSAS 2

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