O Feminino e o Sagrado um jeito de olhar o mundo

Uma experiência numa caverna pré histórica da França

Poucos anos atrás estive na Gruta de Niaux, que fica em Ariége, França quase divisa com a Espanha. Região maravilhosa em paisagens, culinária e cultura, cheia de estradinhas rodeadas de arvores que atravessam pequenas vilas de contos de fadas. Mas o ponto alto ali foi  a visita que fiz numa espetacular caverna ocupada por humanos na Idade da Pedra.

Penetramos bem fundo nela através de passagens estreitas. Achei o trajeto difícil e eu estava com guia, lanternas e tênis – imagine como era andar lá na Idade da Pedra! Por fim chegamos a um ponto bem no interior da caverna, mais ou menos circular e rodeado de figuras pintadas como essa da foto.

A guia disse que os antropólogos acreditam que lá eles tocavam tambor e flauta, provavelmente para os xamãs entrarem em estados alterados de consciência com a música e imagens. Aliás, ela disse que supõe-se que eles já faziam esses desenhos em estados alterados. Acredito.

Naquelas condições dificílimas, frio de congelar, pouca comida, as pessoas se davam ao trabalho de fazer esse esforço enorme para desenhar e participar de rituais. Por que eles faziam isso? Por que continuamos até hoje a fazer essas coisas através de praticas religiosas ou espiritualistas?

Porque instintivamente sabemos que essa experiência nos traz força. Não para a outra vida, mas para essa mesma.

Que força? A dos Jedai do Guerra nas Estrelas. A que traz o contato com Deus, com Alá, o Grande Espirito, a Energia, o Tao,  Brahman, a potencialidade humana, o inconsciente coletivo, ou como quer que vc chame isso.

O nome não importa tanto. O que importa é que a gente se abra para a Força e depois consiga elabora-la, mante-la próxima, lembrar de lembrar dela.

Reza uma lenda que na mansão do deus do mar, ou seja, nas nossas profundezas, há um caldeirão de abundancia e é a partir dessa energia inexaurível que as energias da vida chegam até nós. E nos alcançam até mesmo no mais profundo de grutas onde nossos ancestrais de 10 000 anos atrás faziam tanto empenho para recebe-la.

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