O Feminino e o Sagrado um jeito de olhar o mundo

O que é ser mulher?


No nosso último Encontro de Mitologias de Feminino refletimos sobre o que de verdade é o Feminino? Não existe nenhuma resposta satisfatória para ela: só reflexões, hipóteses, ampliações. E existe algo muito específico do que é ser mulher? As duas únicas coisas que podemos dizer que são exclusivas das mulheres são:
1. O CORPO e suas especificidades biológicas
2. A experiência de ser mulher dentro de uma cultura machista e patriarcal
A primeira dimensão é fácil de percebermos porque ela é visível e material:
• Temos ciclos marcados: menarca, menstruação mensal, menopausa e um ciclo hormonal mensal mutante entre a menarca e a menopausa.
• Temos ovários, útero, vagina e seios maiores.
• Engravidamos, gestamos, parimos, amamentamos (de fato ou como potencial).
Mesmo essa dimensão que parece inequívoca pode ser contestada pela questão das mulheres transgênero, que são mulheres não num corpo feminino.

A segunda é muito mais sútil, difícil de ser compreendida em sua profundidade e parece muito mais uma questão individual do que coletiva, como de fato é. Cada uma de nós, ao nascer mulher, já mergulhamos numa cultura que tem idéias bem estruturadas do que é e deve ser uma mulher. São crenças e comportamentos tão naturalizados e legitimados que se tornam invisíveis. Ao mesmo tempo, exercem uma ampla e profunda influência sobre como nos definimos como mulheres e como construímos nossa autoestima. Vão nos moldando desde cedo com “recompensas” e “punições” para que nos adequemos ao papel socialmente visto como o da “mulher feminina”.

INFÂNCIA: alguns exemplos
Uma garota pequena inquieta, arteira já é chamada de moleque, como se esse comportamento não fosse feminino.
Uma garotinha que volta de uma festa toda suada, suja e com a roupa desmantelada porque brincou e se divertiu horrores pode ouvir dos pais: “nossa assim você nem parece uma menina”.
Quando se vê uma garotinha brincando ternamente com seu irmão menor ou com sua boneca como se fossem seus filhinhos não é incomum elogiá-la dizendo: “vejam, já parece uma mãezinha, que lindo”!

ADOLESCÊNCIA: alguns exemplos
A capacidade de atrair rapazes pela aparência é vista como o maior trunfo de uma menina – a medida do seu sucesso.
Agradar, especialmente os garotos, passa a ser uma meta a ser buscada por muitas meninas, visto o prestígio que isso traz.
As garotas que se interessam tanto ou mais por outros assuntos são consideradas estranhas, esquisitas, nerds e as vezes até pouco femininas.
ADULTA: alguns exemplos
Uma mulher pode ser bem-sucedida em vários aspectos da sua vida, mas se não tem namorado é vista e se vê como incompleta.
O amor materno é visto como incondicional e como esse amor assim o tempo todo NÃO existe a mulher que é mãe sempre sente culpa.
A qualidade das relações especialmente as familiares e amorosas são vistas como responsabilidade das mulheres.
O cuidar e o nutrir são vistos como “qualidades” intrinsecamente como femininos e ela é esperada de qualquer mulher.
Nós nascemos e somos criadas dentro dessa visão do que é ser mulher, então será que a gente se torna mulher a partir do olhar da cultura? O que é ser mulher?

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