O Feminino e o Sagrado um jeito de olhar o mundo

Não é você que escolhe o mito, é o mito que escolhe você

Quando teve sua grande crise, Jung foi tentar descobrir o mito que estava vivendo, ou seja, alguma coisa que fizesse sentido no aparente acaso dos acontecimentos de sua história pessoal.

Todo ano, na época de seu aniversario Joseph Campbell ia a Esalen, um centro de meditação na California, também para perceber que mito que estava vivendo.

Eles sabiam o que parece que não se sabe mais: não somos nós que escolhemos o mito (tipo: ah, prefiro Hera, ou Afrodite, ou…), mas o mito que nos escolhe, se mostrando através de nossa historia pessoal.

Para descobrir nosso mito é preciso recontar a própria historia. Não se preocupe tanto em “fatos”, mas mais em percepções, memorias afetivas, sensações passadas. Deve haver fios invisíveis ligando um acontecimento ao outro, e se você tiver sorte e persistência vai ser recompensada com uma sequência que vai fazendo algum sentido.

Depois de compor a própria historia e de resignificá-la, vamos naturalmente conectando nossa biografia com as idéias sugeridas nos mitos: idéias de vocação, alma, destino.

Como no céu em que linhas que unem estrelas formam a imagem mítica de constelações ou de signos do zodíaco, a gente pode começar a perceber alí certos mitos que sem saber estávamos vivendo, como o mito de uma deusa guerreira ou de um curador ferido, por exemplo.

E finalmente, depois disso tudo, ouvir as historias dos outros nos mostra onde nossos pontinhos interagem com os deles. Juntos com muitos outros formamos grandes imagens que vão compondo o imenso painel humano do qual somos parte.

Na mitologia hindu, essa figura é chamada de rede de Indra: um alinhavado de pedras preciosas no qual cada uma reflete todas as outras e é refletida por elas.

No Feminino Sagrado ouvimos as historias de vida de 15 mulheres bacanas,entre as quais psicólogas e facilitadoras, gente que conhece bem a si mesma.

Mesmo assim, quando mostramos suas historias recontadas por nós e impressas, várias se espantaram e se emocionaram com o que descobriram. Uma delas disse: “Nossa, agora eu me dou conta do tamanho do caminho que eu fiz! Mostrei para minha filha e ela disse: mãe, eu não fazia ideia, não te conhecia direito, afinal…”

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