O Feminino e o Sagrado um jeito de olhar o mundo

Você está lidando com um companheiro puer?

Sabemos que a nossa sociedade produz grande quantidade de meninos, mas um número cada vez menor de homens”. Essa frase é do poeta e pensador Robert Bly referindo-se aos homens-puer, assunto que tratamos no 12 Encontro de Mitologias do Feminino.

Puer Aeternus é um arquétipo, mas aqui Bly está falando de pessoas que parecem adultas mas emocionalmente não cresceram. Puer significa criança em latim; é daí que vem a palavra pueril, por exemplo. Gente assim (pode ser homem ou mulher, no caso puella) tem algumas ou várias dessas características:

  • Acha-se especial demais para se adaptar a tudo: aos outros, a empregos, etc, e espera que o mundo se adapte a ele. Fica sem trabalho com frequência.
  • Tem medo de se prender seja lá ao que for: lugar, atividade, pessoa, compromisso
  • Não assume responsabilidades para com qualquer coisa, como se isso o sobrecarregasse
  • Não dá suporte a companheiras, mantendo-se “fora” das decisões e emocionalmente da relação o máximo possível
  • Pode ter grande dependência da mãe
  • Permanece sempre na adolescência, com tudo que adolescentes tem de chato mas também de sedutor, como erotismo e jovialidade
  • Muitas vezes é um Don Juan que, buscando a mulher perfeita e/ou uma mãe nutridora, fica com alguém só até perceber que ela é uma pessoa comum

É duro lidar com eles. A junguiana Marie Louise von Franz dá um exemplo: “quanto mais o homem recusa envolver-se na relação, mais a mulher pode achar que tem que prendê-lo, agarra-lo, proibi-lo… e assim ele desperta a mãe devoradora de toda mulher. Aí o homem diz: “sempre é assim com mulheres”, e a abandona. Na verdade, sua recusa em se envolver desperta o lado devorador dela e isso é um ciclo vicioso e destrutivo. Por ser incapaz de amar ele traz à tona o complexo de poder dela”. (pagina 273 de seu livro Puer Aeternus).

E a saída do círculo vicioso da relação? Numa palavra, somente quando a mulher sacrifica o desejo e/ou a aceitação de servir de mãe ao companheiro, desiste de ficar apertando o garrote para segura-lo e vai tratar de suas próprias emoções é que a cura começa a acontecer. Quanto a cura do próprio puer, isso é outra história…

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