O Feminino e o Sagrado um jeito de olhar o mundo

Escolhendo heroínas ativas em contos de fadas, mitos e filmes de mulheres… maravilhas!

Pesquiso contos de fadas há um bom tempo e digo que há muitos com heroínas super ativas, porém os que a gente conhece mais, tipo Bela Adormecida ou Cinderela, tem mocinhas passivas e a ação é toda dos príncipes. Por que?

Para começar porque quem recolheu, selecionou, editou e bancou a impressão das histórias tradicionais foram homens.

Não sei se fizeram isso de proposito, mas talvez seja natural que tivessem escolhido contos que faziam sentido para eles. Ou seja, contos com aquele herói bacanão, forte, lutador e com mocinhas lindas, meiguinhas, boazinhas – e sempre coadjuvantes! As únicas mulheres que ousam agir são bruxas feias e malvadas.

Li uma pesquisa mostrando que, nos contos de fadas mais divulgados, 90% dos protagonistas são homens e 10% mulheres! 

E qual a consequência social * disso? Desde cedo, a auto imagem feminina vai se formando baseada no que vem da família, da escola e também dos mitos e símbolos de sua cultura com os quais a garotinha se identifica, veste fantasias, quer ficar parecida, etc. Isso tudo influencia a visão de mundo e o papel que a menina vai desempenhar nele. 

Por isso é importante que existam filmes e livros de mitos, de contos e re contos de fadas com heroínas ativas e não só lindas mocinhas passivas. Por isso escolho cuidadosamente os contos de fadas que conto (e como os conto) para minha netinha de três anos. 

A Mulher Maravilha une a força física com qualidades menos tradicionalmente masculinas, e o filme tem uma pegada mitológica que vai além da heroína solitária, trazendo as amazonas, por exemplo. Não é um manual de perfeito feminismo, mas dá seu recado. Haverá equívocos e repetição de alguns estereótipos do feminino, mas a própria discussão sobre isso é saudável e o protagonismo é importante para a auto imagem das mulheres e meninas.

Chega de ser a mocinha salva pelo herói, né? Vamos salvar a nós mesmas e até, quem sabe, ao resto do mundo. Quem sabe assim dá mais certo?

* PS: Gente, estou falando aqui da função social dos mitos e contos de fadas, segundo Joseph Campbell. Existem outras, que ficam para outro post.

3 comentários

  1. Queridas Bia e Chris,
    Não costumo fazer comentários mas sempre leio os artigos de vocês e adoro. è uma coisa boa ler sobre o Feminino e o Sagrado logo de manhã. Sinto um alento, uma energia boa de vcs que estão fazendo algo de bom para as mulheres e a humanidade em geral. Vcs são perseverantes, constantes, consistentes e cheias de conteúdo. que bom que vcs dividem com a gente.
    Vou tentar comentar mais vezes… bjs san

    1. crisbalieiro disse:

      Oi Sandra, é tão receber estímulos como o seu! Thanks, querida. Cris

  2. biapicchia disse:

    San querida é uma maravilha ter comentários de uma escritora como você!

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