O Feminino e o Sagrado um jeito de olhar o mundo

Dois venenos mortais para a alma: amargura e auto piedade


Uzume, a deusa japonesa do riso e da alegria pode ser o antídoto perfeito para duas atitudes emocionais que, se duradouras, são das mais nefastas, pois tornam a vida um sofrimento eterno: a amargura e a pena de si mesma. As duas costumam “caminhar juntas”! E, pior, elas são autofágicas, se alimentam de si mesma, ou seja, quanto mais amargura e/ou pena de nós sentimos mais amargura e/ou pena de nós vamos sentir.

(…) Perdas, decepções e frustações fazem parte da vida de todas, não existe vida em que não acontecem coisas ruins, tristes, às vezes até trágicas. Todas passamos, em algum momento, por tempos de profunda tristeza, em que precisamos nos recolher para curar nossas feridas. Eles são inevitáveis e devem ser vividos para que o acontecimento seja “digerido”, para que a gente aprenda o que tiver de aprender – tudo na vida ensina, se quisermos – e amadureça.

O grande problema é escolher não sair disso. (…) se trancar por dentro em uma caverna, a da amargura e/ou da pena de si mesma. Com isso, tudo à nossa volta perde a luz e o calor. Nessa escuridão, tendemos a não ver nada além da própria escuridão: não vemos os outros, não vemos a vida que está passando e o mundo fica “girando ao redor do nosso umbigo cheio de dor”.

(…)Nesse momento precisamos da nossa Uzume interna, para que ela nos leve a sair desse “buraco” escuro em que entramos e nos faça olhar para fora, ter uma nova perspectiva. Não é fácil, é preciso coragem, porque no fim das contas existe um conforto em sermos amargas ou vítimas. Essas atitudes justificam para os outros e, acima de tudo, para nós mesmas a nossa inação.

(…) Se escolhermos a via da amargura ou da pena de nós mesmas, tudo o que acontecer vai cair nesse buraco e teremos esse olhar pessimista para seja lá o que for. Se, ao contrário, escolhermos a via do riso, da irreverência, do bom humor, como Uzume, isso não nos livrará da tristeza, mas não a habitaremos em definitivo.

(…) A postura de buscar a alegria de viver – o que não significa nos tornarmos donas de óculos cor-de-rosa eternos, que só nos fazem ingênuas e tolas – pode ser um dos agentes mais transformadores e curativos que existem, além de ter um componente contagiante tão ou mais forte que a amargura e o pessimismo. Assim como podemos trazer ao nosso redor escuridão e frio, podemos trazer luz e calor.

Trechos do livro O LEGADO DAS DEUSAS

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *