O Feminino e o Sagrado um jeito de olhar o mundo

Sobre a Deusa Tríplice


A Deusa Tríplice vem nos ensinar que nossa vida também acontece no Tempo e em fases. Todas somos ou fomos a Donzela, todas somos, fomos ou seremos a Mãe e todas somos ou seremos a Velha. Não dá para querer ser uma sendo outra. Todas as fases têm seus desafios, suas dificuldades e seus encantos!

Se conseguirmos preservar a curiosidade que a Donzela tem pela vida, a criatividade da Mãe e a generosidade serena da Velha, conseguiremos nos tornar uma Velha Sábia, o que pode ser uma meta e tanto a ser sonhada por uma mulher!

O honrar a Deusa Tríplice, porém, parece ser algo muito distante da busca insana de nossa cultura, que impõe às mulheres a necessidade de parecerem jovens o maior tempo possível, não importa a que custo. Parece que só assim temos algum valor no mercado da conquista. Isso está tão distante das faces da Deusa Tríplice quanto Mercúrio está de Plutão! A visão da Deusa é aquela que traz esse Feminino novo, revitalizado, cujo valor está em si mesmo. (…)

Indo ainda mais longe, a visão da Deusa Tríplice como como metáfora do amadurecimento feminino, para a analista junguiana canadense Marion Woodman, é baseada na inversão das fases e é ainda mais profunda. Ela afirma que, para uma mulher se tornar madura – uma mulher de fato e não uma menina –, é preciso primeiro que se torne Mãe-de-Si, deixando de querer que alguém cuide dela o tempo todo. É perdoar a mãe real pelos erros e falhas que qualquer mulher que se torna mãe comete, não buscar um homem que a trate como filha e assumir total responsabilidade por suas escolhas e pela própria vida, cuidando de si. Passa então a ser Virgem, a Uma-em-Si, a que age como age, sempre em função de sua verdade interna, e nunca para agradar ou ser amada. Depois de chegar a essa fase, pode entrar no processo de se tornar uma Velha Sábia.

Trecho do meu livro O LEGADO DAS DEUSAS

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