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Sobre o Chamado à Aventura

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Toda Jornada começa com um Chamado. De forma repentina, abrupta, ou de forma tão lenta que mal se percebe, algo irrompe na vida e/ou no jeito da gente ser que meio que quebra a vida que se leva: é como se tudo se desencaixasse fora da gente e dentro da gente.
A etapa do Chamado é um momento crucial dentro da Jornada: é ali onde ela começa ou é recusada.
E, assim como cada jornada e cada “herói ou heroína” são únicos, o Chamado também é, por isso pode ser tão difícil reconhece-lo e responder a ele. Em primeiro lugar ele tira a pessoa da zona de conforto, aliás, ele normalmente “joga” a pessoa em situações de desconforto, confusão e estranheza. Às vezes o próprio Chamado já é muito diferente e a gente não tem modelos aos quais se apegar.

Depois, a gente vive numa cultura de massa, com modelos rígidos e pré-fixados do que é ser uma pessoa adequada e bem-sucedida e o Chamado vem revolucionar isso, pois apesar de sem clareza, percebemos que a não nos encaixamos mais nisso, mas também não sabemos o que pôr no lugar.

Além disso podemos interpretar que, assim como faz nossa cultura, estamos ficando “pirados”, que a sensação de “desencaixe” significa que estamos doentes e que precisamos urgente acabar com isso. Não é nada raro uma pessoa chegar para terapia com essa questão!

Ou então, temos que encarar algo dentro de nós que não gostamos ou temos medo, mas que de repente não dá mais para ficar escondido.

Por essas e outras dificuldades podemos ver como pode ser difícil, primeiro reconhecer que o que está acontecendo conosco é um Chamado para uma vida mais autêntica, uma jornada em busca do que anseia nossa alma. E depois do seu reconhecimento, legitimá-lo e dizer SIM a esse chamamento.

De verdade, aceitar fazer a jornada, arriscar-se, perder o que tem que ser perdido, não é confortável, fácil ou uma aventura que a gente entra só por diversão.
A jornada é cheia de perigos, provas e não há nenhuma segurança de onde ela pode nos levar.
Então, porque entrar nela?

Muitas pessoas vivem relativamente bem com as possibilidades que a cultura coletiva lhes proporciona. Mas a pessoa que tem uma alma desassossegada, um Self exigente na linguagem junguiana, um Daimon que não dá trégua, usando a linguagem do James Hillman não consegue. Se existe o Chamado é porque você foi convocada. Para que tem essa inquietude no DNA só resta falar como a Mafalda: “justo a mim me coube ser eu” e fazer sua Jornada!!

2 comentários

  1. Glória Branco disse:

    Obrigada pelo texto!!! Meu self exigente agradece o incentivo de saber que está na jornada certa.

  2. crisbalieiro disse:

    Selfs exigentes são “fogo”, não é Glória? Mas, no fim, pelo menos do meu ponto de vista a vida só vale de fato a pena, se for em jornada. Abraço
    Cris

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