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A Lenda das Icamiabás, os círculos de mulheres e a sororidade

Quarta, dia 9 falei sobre os Círculos de Mulheres, na quarta, dia 16 sobre sororidade e hoje publico a lenda das Icamiabás – que está no livro O LEGADO DAS DEUSAS. Essa lenda indígena brasileira serve de espelho metafórico tanto para os círculos como para a sororidade.
icamiabas
Conta a lenda, que há tempos que se perdem nos tempos, existia na região hoje chamada de Amazônia – e depois vamos ver o porquê desse nome – uma tribo indígena formada só por mulheres: as Icamiabás. Elas eram fortes, altivas, de pele escura, cabelos muito pretos, exímias arqueiras e bravas guerreiras. Viviam na floresta e eram as defensoras de todos os seres que também lá viviam, fossem animais, vegetais ou humanos. Sua aldeia ficava junto ao lago Jacy-Uará, o Espelho da Lua. Elas eram devotas da Mãe Lua e da Grande Mãe das Pedras Verdes. Essa mãe era também a Mãe dos Muiraquitãs, pequenas pedras verdes que existiam no fundo do lago e que misteriosamente emergiam esculpidas como sapo, peixe ou tartaruga. Esses muiraquitãs eram poderosos amuletos para proteção e cura.

Uma vez por ano, num grande ritual que acontecia numa noite em que a Mãe Lua estava cheia e esplendorosa, as Icamiabás entravam na floresta, cada uma ladeada por um índio que vinha da tribo dos Guaicarís – outra tribo mítica formada só por homens. Iam buscar raízes e flores perfumadas para purificar o lago Espelho da Lua. Jogavam as flores e raízes no lago e mergulhando nele buscavam um Muiraquitã que entregavam a seus namorados para lhes trazer proteção. Depois se deitavam com eles fazendo amor. Nove meses depois do ritual se nascessem meninos eram dados para seus pais os criarem e se nascessem meninas ficavam na aldeia e se tornavam Icamiabás.

E, aí fatos reais se misturam com fatos míticos: conta-se que o conquistador espanhol Francisco de Orellana, em 1541, desceu o rio que se chamava na época Mar Dulce, em busca de ouro. Nessa expedição invadiu e quis explorar o território da floresta das Icamiabás. A resistência delas a isso, sua luta e sua vitória sobre os espanhóis os expulsando, chegou aos ouvidos do então Rei da Espanha Carlos V. Ele, em função do feito das Icamiabás e inspirado no nome de outras guerreiras míticas que os gregos chamavam de amazonas, batizou nosso maior rio: o Amazonas. E a fama dessas guerreiras e a força dessa lenda foram tão grandes tanto aqui, quanto na Europa que seu nome acabou batizando além do rio, toda a bacia hídrica, a floresta e um estado brasileiro.

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