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Heroínas do Brasil – Odete Lara

Odete Righi Bertoluzzi, mais conhecida como Odete Lara (1929/ 2015) atriz, cantora e escritora
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Odete Lara não teve uma infância fácil. Filha única de imigrantes italianos, sua mãe cometeu suicídio quando Odete tinha apenas 6 anos. Foi então internada num orfanato de freiras e depois levada para a casa da madrinha. Era apegada ao pai, mas ele foi obrigado a se afastar da filha por conta de uma tuberculose, também cometendo suicídio quando Odete tinha 18 anos.

Nesta época, ela já trabalhava para se manter. Seu primeiro emprego foi como secretária e datilógrafa, mas, incentivada por uma amiga, Odete fez um curso de modelo no Museu de Arte Moderna de São Paulo e participou do primeiro desfile da história da moda brasileira. Ali, ela chamou a atenção de Pietro Maria Bardi, fundador e diretor do MASP, que a indicou para a então recém-inaugurada TV Tupi.
Ela começou trabalhando como garota-propaganda, mas logo seu talento a fez ser chamada para participar de uma versão televisiva de Luz de Gás, com Tônia Carrero e Paulo Autran. Logo, ela se tornou estrela do Programa de Vanguarda, uma das maiores atrações da TV Tupi. Participou também de várias novelas de sucesso. O sucesso da televisão a levou a um contrato com um dos grupos teatrais mais importantes da época, o Teatro Brasileiro de Comédia, a TBC, e fez sua estreia com a peça “Santa Marta Fabril S/A” sob a direção do italiano Adolfo Celi.
Sua estreia nos cinemas foi graças ao convite de Abílio Pereira de Almeida, que a chamou para participar do filme, O Gato de Madame, ao lado de Mazzaropi. A partir de então, Odete descobriu o seu caminho para sua carreira e continuou a fazer filmes, paralelamente ao teatro, televisão e outras atividades artísticas. Sua carreira no cinema foi um grande sucesso: participou de quase 40 filmes, dentre eles O Dragão da Maldade Contra o Santo Guerreiro, que deu a Glauber Rocha o prêmio de melhor diretor no Festival de Cannes.

Ao lado de Vinicius de Moraes, ela estreou como cantora no show Skindô, que foi registrado em disco. Além deste, ela faria ainda faria parceria com Sérgio Mendes e Chico Buarque. Odete Lara lançou oficialmente dois discos: Vinicius e Odete e Contrastes.
Também teve uma atuação marcante em eventos políticos, como a “Marcha dos 100 mil”, ao lado de Chico Buarque, Edu Lobo, Norma Bengell, Gilberto Gil e Fernando Gabeira, entre outros, que protestavam contra a ditadura militar.

No auge do sucesso profissional, porém, ela decidiu abandonar a carreira, converteu-se ao budismo e partiu para um autoexílio num sítio nas montanhas de Nova Friburgo, estado do Rio de Janeiro. Publicou três livros autobiográficos: “Eu nua”, “Minha jornada interior” e “Meus passos na busca da paz”, um de memórias “Vazios e plenitudes”, além de traduzir várias obras sobre o budismo.
Morreu no Rio de Janeiro aos 85 anos, de infarto enquanto dormia.

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