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Heroínas do Brasil – Nair de Teffé

Nair de Teffé von Hoonholtz (1886/1981), caricaturista
NairTeffe
Nair de Teffé nasceu em berço aristocrático em 1886, em Petrópolis. Nair foi criada e educada na França, viveu lá dos 9 aos 17 anos, tendo estudado em Paris e Nice. Desde cedo seguiu o pai, cientista e diplomata, em suas andanças pelo mundo. Na França começou a dedicar-se à caricatura. Ela começou desenhando os narizes e os rostos das freiras do colégio Sante Ursele, e continuou desenvolvendo seu talento com as visitas que recebia em casa e as pessoas que frequentavam as praças da cidade.

Publicou seu primeiro trabalho, A Artista Rejane, na revista “Fon-Fon”, sob o pseudônimo de Rian (Nair de trás para frente). Também publicaram suas caricaturas da elite, dentre outros, os periódicos O Binóculo, A Careta, O Ken, bem como os jornais Gazeta de Notícias e da Gazeta de Petrópolis. Seus desenhos retratavam e ironizavam a sociedade e seus personagens.
Com outras mulheres cariocas, como a jornalista Eugenia Moreira (1898-1948) e a “diva dos salões” Laurinda Santos Lobo (1878-1946), ela agitou a sociedade ao flertar com o modernismo e as pretensões feministas da época. Também trouxe para o País a moda de mulheres usarem calças compridas.

Deixou de exercer sua carreira como caricaturista em dezembro de 1913, ao casar-se com o presidente do Brasil, o marechal Hermes da Fonseca, que ficara viúvo 6 meses antes. Além de sua viuvez ser muito recente foi uma espécie de escândalo na época pela diferença de idade, ela tinha 26 anos e ele 57. Ela continuou uma mulher à frente de seu tempo. Como primeira-dama promovia saraus no Palácio do Catete – o Palácio Presidencial brasileiro da época -, que ficaram famosos por introduzir o violão nos salões da sociedade. Sua paixão por música popular reunia amigos para recitais de modinhas. As interpretações de Catulo da Paixão Cearense fizeram sucesso e, em 1914, incentivaram Nair de Tefé a organizar um recital de lançamento do Corta Jaca, um maxixe composto por Chiquinha Gonzaga. Foram feitas críticas ao governo e retumbantes comentários sobre os “escândalos” no palácio, pela promoção e divulgação de músicas cujas origens estavam nas danças lascivas e vulgares, segundo a concepção da elite social. Levar para o palácio presidencial do Brasil a música popular foi considerado, na época, uma quebra de protocolo, causando polêmica nas altas esferas da sociedade e entre políticos.

Logo após o término do mandato presidencial, Nair mudou-se novamente para a Europa. Voltou para o Brasil por volta de 1921 e participou da Semana de Arte Moderna. Com a morte de Hermes, em 1923, voltou para Petrópolis, produzindo eventos principalmente peças teatrais, das quais participou como atriz, autora e diretora. Lá foi eleita, em 1928, presidente da Academia de Ciências e Letras. Em 1932, retornou ao Rio de Janeiro, onde fundou em 28 de novembro de 1932 o Cinema Rian, na Avenida Atlântica, em Copacabana.

Em 1960, aos setenta e três anos, Nair voltou a fazer caricaturas. No fim dos anos 1970, participou das comemorações do Dia Internacional da Mulher. Morreu no Rio de Janeiro, em 1981, no dia de seu aniversário de noventa e cinco anos.

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