O Feminino e o Sagrado um jeito de olhar o mundo

Siga em frente, supere o isolamento com a luta, diz Clarissa Pinkola Estés

Oice w1 que acontece quando tenta-se fazer tudo certo e dá tudo errado? Quando tenta se adaptar a todo custo num meio que não a recebe bem, “em vez de uma mulher vital temos uma mulher simpática, a quem foram arrancadas as garras. Temos, então, uma mulher bem-comportada, com boas intenções, nervosa, ofegante no anseio de ser boa.”

Para se defender,  essa mulher acaba se isolando, e daí para congelar os sentimentos é um pulo. Mas um mau pulo, segundo Clarissa:

“As mulheres lidam com o isolamento de outras formas. Como o patinho que fica preso no gelo do lago, elas se congelam. O congelamento é a pior atitude que uma pessoa pode tomar. A frieza é o beijo da morte para a criatividade, para os relacionamentos, para a própria vida. Algumas mulheres agem como se conseguir ser fria fosse um grande feito. Não é. É um ato de ira defensiva.

Na psicologia arquetípica, estar frio representa não ter sentimentos. Há histórias da criança congelada, da criança que não conseguia sentir, dos corpos presos no gelo, durante um período em que nada podia se mexer, nada podia se transformar, nada podia nascer.

Um ser humano congelado significa que ele está propositalmente sem sentimentos, em especial para consigo mesmo, mas também e às vezes ainda mais para com os outros. Embora esse seja um mecanismo de autoproteção, ele prejudica a psique-alma, porque a alma não reage ao gelo, mas ao calor. Uma atitude gélida apagará o fogo criativo da mulher. Ela inibirá a função criativa.Ice-hole-e1409241277813

É esse um problema grave, mas a história (do patinho feio) nos dá uma idéia. O gelo precisa ser quebrado, e a alma retirada do congelamento.

Quando os escritores, por exemplo, se sentem secos, áridos, sem vida, eles sabem que o jeito para voltar à fertilidade reside em escrever. No entanto, se eles estiverem presos no gelo, não conseguirão escrever. Há pintores que estão ansiosos por pintar, mas dizem a si mesmos:

– Larga disso. Seus quadros são estranhos e feios.

Existem muitos artistas que ainda não firmaram sua posição e outros que são veteranos de guerra no desenvolvimento da sua vida criativa, e mesmo assim cada vez que eles pegam da pena, do pincel, das fitas, do roteiro, eles ouvem:

– Você só causa problemas. Seu trabalho é marginal ou totalmente inaceitável porque você mesmo é marginal e inaceitável.

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Portanto, qual é a solução? Aja como o patinho. Siga em frente, supere tudo com a luta. Apanhe logo a caneta, comece a escrever e pare de resmungar.

Escreva. Pegue o pincel e, para variar, seja má consigo mesma: pinte. Bailarina, vista sua malha, amarre fitas no cabelo, na cintura ou nos tornozelos e diga ao corpo que se mexa. Dance. Atriz, dramaturga, poeta, musicista ou qualquer outra.

Em geral, pare de falar. Não pronuncie mais uma palavra sequer, a não ser que você seja cantora.

Tranque-se num quarto com teto ou numa clareira sob os céus. Exerça sua arte. Sabe-se que o que está em movimento não se congela. Por isso, mexa-se. Vá em frente.”

Clarissa Pinkola Estés, Mulheres que correm com os lobos

1 comentário

  1. Suely.f.Rocha disse:

    Magnigica ALMA da Clsrisssa!! COMO CONCORDO

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