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Heroínas do Brasil – Zilda Arns

Zilda Arns Neumann (1934/ 2010) médica pediatra e sanitarista
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O casal brasileiro de origem alemã, Gabriel Arns e Helene Steiner, teve 16 filhos. Zilda, a 13ª criança, em Forquilhinha, Santa Catarina. Em 1953, começou a estudar medicina, na Universidade Federal do Paraná.

No mesmo ano que entrou na faculdade ela começou a cuidar de crianças menores de um ano. Na época, Zilda se impressionou com a grande quantidade de crianças internadas com doenças de fácil prevenção, como diarreia e desidratação.  Escolheu a medicina como missão e enveredou pelos caminhos da saúde pública.

Zilda começou a carreira como médica pediatra em um hospital de crianças em Curitiba. Sua experiência fez com que, em 1980, fosse convidada pelo Governo do Paraná a coordenar a campanha de vacinação Sabin, para combater a primeira epidemia de poliomielite, criando um método próprio, depois adotado pelo Ministério da Saúde. No mesmo ano, foi também convidada a dirigir o Departamento Materno-Infantil da Secretaria da Saúde do mesmo Estado, quando instituiu com extraordinário sucesso os programas de planejamento familiar, prevenção do câncer ginecológico, saúde escolar e aleitamento materno.

Em 1983, a pedido da CNBB (Confederação Nacional dos Bispos do Brasil), criou a Pastoral da Criança juntamente com seu presidente, dom Geraldo Majella.  Ao longo de 25 anos, expandiu o programa que chegou a alcançar 72% do território Nacional, além de vinte países na América Latina, Ásia e África.  A pastoral acompanhou quase 2 milhões de menores de seis anos em 4060 municípios brasileiros. Neste período, mais de 250 000 voluntários levaram solidariedade e conhecimento sobre saúde, nutrição, educação e cidadania para as comunidades mais pobres.

Em 2004 recebeu da CNBB outra missão semelhante: fundar e coordenar a Pastoral da Pessoa Idosa. Até sua morte em 2010 dividia seu tempo entre os compromissos como coordenadora nacional da Pastoral da Pessoa Idosa e coordenadora internacional da Pastoral da Criança e a participação como representante titular da CNBB no Conselho Nacional de Saúde, e como membro do Conselho Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES).

Zilda se casou em 1959 e teve seis filhos e vários netos. Teve que lutar muito pelo que queria e acreditava. Primeiro com o pai, que não queria que ela estudasse medicina, porque não achava que fosse profissão para a mulher. Depois contra os preconceitos na própria faculdade. Em uma entrevista ela contou: “Um professor me reprovou no primeiro ano, bem eu, sempre das primeiras da sala. Ele dizia que era absurdo uma mulher cursar medicina. Mas virei pediatra, justo a matéria dele”.  E depois teve que lutar para conseguir realizar seu trabalho com governos, órgãos médicos e a própria igreja católica, mas sempre foi em frente, deixando um grande legado!

Pelo seu trabalho. Zilda Arns recebeu inúmeras condecorações tais como: Woodrow Wilson, da Woodrow Wilson Fundation (EUA), em 2007; o Opus Prize, da Opus Prize Foundation (EUA), pelo inovador programa de saúde pública que ajuda a milhares de famílias carentes, em 2006; Heroína da Saúde Pública das Américas (OPAS/2002); 1º Prêmio Direitos Humanos (USP/2000); Personalidade Brasileira de Destaque no Trabalho em Prol da Saúde da Criança (Unicef/1988) e  em 2011 foi indicada postumamente ao Prêmio Nobel da Paz.

A Dra. Zilda estava em Porto Príncipe, no Haiti, em missão humanitária, para introduzir a Pastoral da Criança no país. E no dia 12 de janeiro de 2010, pouco depois de proferir uma palestra o país foi atingido por um violento terremoto e ela foi uma das vítimas da catástrofe, falecendo aos 75 anos.

 

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