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Heroínas do Brasil – Tomie Ohtake

Tomie Ohtake (1913/ 2015) artista plástica
Tomie
Tomie foi uma das figuras mais importantes das artes plásticas no Brasil. Ela nasceu em Kyoto, no Japão, em 1913. Em 1936 chegou ao Brasil para visitar um de seus cinco irmãos. Não podendo voltar ao Japão devido ao início da Guerra do Pacífico, acabou ficando definitivamente no Brasil e naturalizou-se brasileira. Casou-se aqui e teve dois filhos, e com quase 40 anos começou a pintar incentivada pelo artista japonês Keiya Sugano.

Tomie começou a fazer sucesso com quase 50 anos, quando realizou mostras individuais e conquistou prêmios na maioria dos salões brasileiros. Ela participou de 20 Bienais Internacionais (seis de São Paulo, uma das quais recebeu o Prêmio Itamaraty, Bienal de Veneza, Tóquio, Havana, Cuenca, entre outras), fez mais de 120 exposições individuais (em São Paulo e mais vinte capitais brasileiras, Nova York, Washington DC, Miami, Tóquio, Roma, Milão, etc) e quase quatro centenas de coletivas, entre Brasil e exterior.

Tomie dedicou-se tanto a pintura, como a gravura e a escultura. Ela se destacou de forma marcante com o trabalho com esculturas em grandes dimensões em espaços públicos que estão em várias cidades brasileiras como São Paulo, Belo Horizonte, Curitiba, Brasília, entre outras. Em São Paulo, algumas dessas obras se tornaram marcos paulistanos, como os quatro grandes painéis da Estação Consolação do Metrô, a escultura em concreto armado na Avenida 23 de Maio e a pintura em parede cega no centro, na Ladeira da Memória. A partir de 2009 suas esculturas públicas chegaram ao Japão e estão nos jardins do Museu de Arte Contemporânea e no Mori Museum, de Tóquio.

Tomie levou a sua arte também para outras frentes. Criou dois cenários para a ópera Madame Butterfly, uma para a encenação no Teatro Municipal do Rio de Janeiro, e o outro para o Teatro Municipal de São Paulo. Criou também obras para diversos prêmios e comemorações, como por ocasião do centenário da imigração japonesa ou o troféu da Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, além de cartazes e ilustrações de livros.

Em 1995, escreveu juntamente com Alberto Goldin o livro intitulado Gota d’água que foi escolhido pela Jugend Bibliothek de Munique, na Alemanha, como um dos melhores livros editados no Brasil no ano de 1995. No mesmo ano, recebeu o Prêmio Nacional de Artes Plásticas do Ministério da Cultura – MinC.

Em 2000, foi criado o Instituto Tomie Ohtake, em São Paulo, idealizado e coordenado por Ricardo Ohtake e projetado por Ruy Ohtake, seus filhos, com o objetivo de apresentar e discutir a história e as tendências das artes no Brasil.

Em 2013 Tomie chegou aos 100 anos, comemorados com 17 exposições pelo Brasil. Morreu em 2015, com 101 anos, sem nunca parar de trabalhar em sua arte.

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