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Heroínas do Brasil – Júlia Lopes de Almeida

Júlia Lopes de Almeida (1862/1934) escritora: contista, romancista, cronista, teatróloga
LuciaAlmeida
Julia Valentim da Silveira nasceu em no Rio de Janeiro, em 1862, filha do médico Valentim José da Silveira Lopes, mais tarde Visconde de São Valentim, e de Adelina Pereira Lopes. Ainda na infância, transfere-se com a família para Campinas, São Paulo. Em 1881, com 19 anos, publicou seus primeiros textos na Gazeta de Campinas, apesar de na época a literatura não ser vista como uma atividade própria para mulheres. Numa entrevista concedida a João do Rio entre 1904 e 1905, confessou que adorava escrever versos, mas o fazia às escondidas. Três anos depois, em 1884, começou a escrever também para o jornal carioca O País, numa colaboração que durou mais de três décadas.

Em 1886 mudou-se para Lisboa, Portugal, para aprimorar seus estudos, por influência do pai. Lá, lançou-se como escritora: com a irmã Adelina, publicou Contos Infantis, em 1886, uma reunião de 33 textos em verso e 27 em prosa destinados às crianças. Posteriormente esse livro foi aprovado pelas autoridades do ensino no Brasil para ser adotado nas escolas primárias de todo o país.
No ano seguinte, em 1887, casou-se com o poeta e jornalista português Filinto de Almeida, à época diretor da revista A Semana, editada no Rio de Janeiro; com ele teve seis filhos. Voltou ao Brasil, em 1888 e logo publicou seu primeiro romance, Memórias de Marta. Sua atividade em jornais e revistas – Jornal do Commercio, A Semana, Ilustração Brasileira, Tribuna Liberal – é incessante. Também colaborou para jornais produzidos e distribuídos por mulheres como O Jornal das Senhoras. Crítica da sociedade do seu tempo, Júlia escrevia condenando a supremacia masculina, a negação do direito ao voto às mulheres, a violência contra as mulheres, exploração no trabalho e a escravidão dos negros no Brasil. Teve uma vasta e diversificada produção literária, abrangendo vários gêneros: conto, peça teatral, crônica e literatura infanto-juvenil.

Júlia integrava o grupo de escritores e intelectuais que planejou a criação da Academia Brasileira de Letras. Seu nome constava da primeira lista dos 40 “imortais” que fundariam a entidade, elaborada por Lúcio de Mendonça. Na primeira reunião da ABL, porém, seu nome foi excluído. Os fundadores optaram por manter a Academia exclusivamente masculina, da mesma forma que a Academia Francesa, que lhes servia de modelo. No lugar de Júlia entrou justamente o seu marido, Filinto de Almeida, que chegou a ser chamado de “acadêmico consorte”. O veto à participação de mulheres só terminou em 1977, com a eleição de Rachel de Queiroz para a cadeira nº 5.

Júlia ainda obtém destaque no Brasil e no exterior em conferências e palestras sobre temas nacionais e sobre a mulher brasileira; participando ativamente de sociedades femininas no Rio de Janeiro. Teve seus escritos publicados em Portugal e na França, onde morou por uns tempos.
Em 1931, no II Congresso Internacional Feminista, realizado no Rio de Janeiro, onde as brasileiras se organizavam para obter o direito ao voto, o discurso de abertura foi feito por Júlia Lopes de Almeida, a mulher de maior prestígio no meio cultural de todo o país.

Faleceu no Rio de Janeiro em 1934.

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