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MULHERES MARCANTES: Olympe de Gouges (1748/1793)

Olympe de Gouges, pseudônimo de Marie Gouze foi uma feminista, revolucionária, escritora e autora de peças de teatro francesa. 

Marie Gouze nasceu em 1748, em Montauban, próxima à Toulouse, no sudoeste da França. Seu pai era açougueiro e a mãe, lavadeira. Entretanto, ela acreditava ser filha biológica de Jean Jacques Lefranc, marquês e poeta e a rejeição do reconhecimento dessa paternidade influenciou sua defesa apaixonada dos direitos das crianças ilegítimas. 

Casou-se jovem em 1765 com Luis Aubry, muito mais velho que ela e teve um filho, Pierre. Enviuvou logo depois e, em 1770 com 18 anos, transferiu-se para Paris onde adotou o pseudônimo de Olympe des Gouges. 
Na capital buscou contato com círculos mais finos e sofisticados e os salões, participando ativamente da vida cultural e política da cidade. Inclusive, atuou no teatro Comédie Francaise.

Em 1774, escreveu uma peça de teatro sobre a escravidão nas colônias francesas e claramente anti-escravagista“L’Esclavage des Nègres”. A peça logo virou um grande debate político, pelo fato de ser sido escrito por uma mulher e pelo assunto controvertido, e só foi publicada em 1789, no início da Revolução Francesa. 

Participou ativamente das atividades revolucionárias e visitou as sessões de assembléia nacional regularmente. Ela transformou suas ideias em sugestões para medidas sócio-políticas e se tornou o foco de discussão por toda Paris. Olympe de Gouges abraçou com destemor e alegria a deflagração da Revolução Francesa, mas logo se desencantou com a constatação de que a “fraternité” da Revolução não incluía as mulheres no que se refere à igualdade de direitos.

Em 1791 ela ingressou no Cercle Social— uma associação cujo objetivo principal era a luta pela igualdade dos direitos políticos e legais para as mulheres. Reunia-se na casa de outra defensora dos direitos das mulheres Sophie de Condorcet. 
Em 1791 em resposta à Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, ela escreveu a Declaração dos Direitos da Mulher e da Cidadã. Logo depois, escreveu o Contrato Social, nome inspirado na famosa obra de Jean-Jacques Rousseau, propondo o casamento com relações de igualdade entre os parceiros. 

Por se envolver ativamente nas questões que lhes pareciam injustas, como a condenação à morte de Luis XVI, por ser contra a pena de morte, e desapontada em suas expectativas sobre como deveria se conduzir a revolução, passou a escrever com mais e mais veemência. 
Em 1793 Olympe escreveu a peça “Les trois urne” e, por causa dela, foi presa. Nessa peça defendia um referendo sobre três possíveis formas de governo: republicano, federativa ou monarquia. 
Como feminista também publicou textos sobre os direitos da mulher, afirmando que se elas poderiam ser levadas ao cadafalso, também tinham o direito de subir na tribuna política. 

Os Jacobinos, que dominavam naquele momento a Revolução Francesa, não estavam dispostos a tolerar a defesa dos direitos das mulheres: exilaram Sophie de Condorcet e prenderam Olympe de Gouges. O mais grave ainda para os radicais foi ela ter defendido o rei publicamente, alegando razões humanitárias e pregando uma reforma de sociedade com palavras, pela razão e não com violência. 

Levada ao tribunal revolucionário, acusada de propaganda para reinstalar a monarquia, foi julgada, condenada à morte e guilhotinada no mesmo ano(1793).

4 comentários

  1. Há pessoas que, ao ler a história de vida, eu tenho vontade de conhecer pessoalmente, se fosse possível é claro.
    Uma bela e envolvente história e, ainda, ela era muito bonita.
    Acompanho seu blog, acho muito interessante. Parabéns!
    Um abraço.

  2. Obrigada Maria Glória, pelas palavras sobre o blog. E para mim tem sido sensacional descobrir e contar histórias de mulheres tão bacanas e muitas delas tão pouco conhecidas.
    Abraço
    Cris

  3. Faço um convite para conhecer o Fare la Scarpetta, com temas sobre delícias, viagens e belezas.
    Mais um abraço Cristina!

    http://farelascarpetta-mariagloriadamico.blogspot.com.br/

  4. Lindo e absolutamente apetitoso seu blog, Maria da Glória! E profundamente feminino, na melhor versão do feminino!
    Cris

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