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MULHERES MARCANTES: Wangari Maathai (1940/2011)

Wangari Muta Maathai foi uma professora universitária, política e ativista pelo meio-ambiente do Quênia. 
Foi a primeira mulher africana a receber o Prêmio Nobel da Paz. 

Maathai nasceu na vila de Ihithe, no Quênia, então colônia britânica. Sua família pertence à etnia Kikuyu, o mais numeroso grupo étnico do país,  vivendo na área há várias gerações. Em 1956 concluiu a escola primária e foi admitida em um colégio católico para meninas, a Loreto High School, em Limuru. Depois de concluir os estudos secundários, em 1959, Maathai pretendia ingressar na Universidade da África Oriental, em Kampala, Uganda. 

Porém, recebe uma bolsa da Fundação Joseph P. Kennedy Jr. e, com outros trezentos quenianos, foi estudar nos Estados Unidos em 1960. 
Em 1964, torna-se a primeira mulher da África Oriental a obter o bacharelado em biologia, no Mount St Scholastica College, em Atchison, Kansas. 
Em 1966, obtém o mestrado em biologia pela Universidade de Pittsburgh e, em seguida, trabalha como pesquisadora em medicina veterinária na Alemanha, antes de receber o seu doutorado em anatomia na Universidade de Nairóbi, em 1971. 
Foi a primeira mulher na África Oriental e Central a receber o grau de doutora naquela universidade, onde também se tornou professora de anatomia veterinária.

Wangari Maathai planta uma árvore na sede das Nações Unidas, em Nova York (2005)

Em 2002, atuou foi professora convidada do Global Institute of Sustainable Forestry da Universidade Yale. 
No mesmo ano, em dezembro, nas primeiras eleições livres do seu país, foi eleita membro do Parlamento queniano. 

Wangari Maathai ficou conhecida no mundo pelo seu empenho e dedicação na conservação das florestas e do meio ambiente. Em 1976, Maathai começou sua luta ao reunir mulheres de comunidades do Quênia para plantar árvores: começou com sete árvores. Um ano depois,  criou o “Movimento Cinturão Verde”, com a intenção de promover e proteger a biodiversidade africana, criar empregos, particularmente em áreas rurais, e promover o papel da mulher na sociedade. Em 1986, o Movimento se espalhou por outros países por meio da “Rede de Cinturão Verde Pan-africana” e como resultado já foram plantadas mais de 35 milhões de árvores  na África. 
Maathai disse que essa atividade impede a desertificação, preserva habitats naturais e gera fonte de combustível, material de construção e alimentos para futuras gerações, o que ajuda no combate à pobreza. 
Durante anos a fio também, lutou pela democracia e por igualdade social. Para ela, estava claro que uma política ambiental sustentável não era possível sem democracia. 

Nos anos 1990, fez parte da oposição e lutou contra o regime corrupto do então presidente Daniel Arap Moi, o que lhe valeu algumas passagens pela prisão. Não foi apenas por sua luta pelo meio ambiente, mas também na defesa dos direitos das mulheres, que Wangari Maathai acabou se tornando uma figura central do movimento feminista no Quénia. 
Para Maathai, era importante encorajar as mulheres a lutar pela própria sobrevivência, pelo próprio dinheiro, desempenhando assim papel mais ativo nas comunidades das quais faziam parte.

A professora costumava dizer que “quando se começa a trabalhar seriamente em temas ambientais, a arena passa a ser os direitos humanos, os direitos das mulheres, os direitos ambientalistas, os direitos das crianças, isto é, os direitos de todo mundo”. 

O movimento Cinturão Verde recebeu mais de 50 prêmios internacionais. Apesar disso, fora do continente africano, Maathai foi notada apenas quando recebeu o Prêmio Nobel da Paz, em 2004. Cinco anos após receber o Nobel, Wangari Maathai tornou-se Mensageira da Paz das Nações Unidas. 

Wangari Maathai morreu de câncer em 2011, aos 71 anos, em Nairóbi. Era chamada pelos quenianos de Mama Miti que em suahíli quer dizer “mãe das árvores”.

3 comentários

  1. Oi Cristina,
    Linda Postagem! Tenho profunda admiração por Wangari Maathai.
    Ela foi tema de um de nossos encontros no Círculo, uma grande Luz que brilhou no mundo, sua história tocou a todas nós profundamente. No momento da expressão artística fomos surpreendidas pela força das imagens da natureza e da Grande Mãe que surgiram nas pinturas. Foi um momento inesquecível na história do grupo que guardo com muito carinho.
    Abraço a você e à Bia

  2. Que demais, Cristiane! Acho que todas nós precisamos sempre e sempre ficar falando dessas mulheres tão incríveis e inspiradoras, nesses tempos em que vivemos que insistem em "celebrizar" gente vazia e tola!
    Grande abraço
    Cris

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