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MULHERES MARCANTES: Billie Holiday (1915/1957)

Billie Holiday,  por vezes, mais conhecida como Lady Day, é por muitos considerada a maior de todas as cantoras de jazz.

Nasceu Eleanora Fagan Gough, nos Estados Unidos,  de pais adolescentes: o pai, Clarence Holiday, tinha quinze anos de idade e a mãe, Saddy Fagan, apenas treze. O pai, guitarrista e banjoista, abandonou a família quando Billie ainda era bebê, seguindo viagem com uma banda de jazz. Sua mãe, frequentemente também a abandonava, deixando-a com familiares.
Menina negra e pobre, Billie passou por todos os sofrimentos possíveis. Aos dez anos foi violentada  por um vizinho, e internada numa casa de correção para meninas vítimas de abuso. Aos doze, trabalhava lavando o chão de prostíbulos. Aos quatorze anos, morando com sua mãe em Nova York, caiu na prostituição. 

Sua vida como cantora começou em 1930. Estando mãe e filha ameaçadas de despejo por falta de pagamento de sua moradia, Billie sai à rua em desespero, na busca de algum dinheiro. Entrando em um bar do Harlem, ofereceu-se como dançarina, mostrando-se um desastre. Penalizado, o pianista perguntou-lhe se sabia cantar. Billie cantou e saiu com um emprego fixo. 

Começou a cantar em casas noturnas do Harlem , onde adotou seu nome artístico. Após três anos cantando em diversas casas, atraiu a atenção do crítico John Hammond, através de quem ela gravou seu primeiro disco, com a big band de Benny Goodman. Era o real início de sua carreira.
Cantou com as big bands de Artie Shaw e Count Basie. E foi uma das primeiras negras a cantar com uma banda de brancos, em uma época de segregação racial nos Estados Unidos (anos 1930). Consagrou-se apresentando-se com as orquestras de Duke Ellington, Teddy Wilson, Count Basie e Artie Shaw, e ao lado de Louis Armstrong. 

Billie Holiday foi uma das mais comoventes cantoras de jazz de todos os tempos. Sua voz etérea, flexível e levemente rouca, sua dicção, seu fraseado, a sensualidade à flor da voz, expressando incrível profundidade de emoção, a aproximaram do estilo de Lester Young, com quem, em quatro anos, gravou cerca de cinquenta canções. Foi ele quem a apelidou de “Lady Day”. 

A partir de 1940, apesar do sucesso, Billie Holiday, sucumbiu ao álcool e às drogas, passando por momentos de profunda depressão. No início de 1959, Billie soube que tinha cirrose hepática. O médico disse-lhe para parar de beber, o que fez por pouco tempo, mas logo voltou a beber pesado. Em maio  foi levada para o Hospital Metropolitano, em Nova York, com problemas hepáticos e cardíacos. Recebeu voz de prisão por posse de drogas enquanto estava no hospital, morrendo. Billie Holiday permaneceu sob guarda da polícia no hospital até que morreu de edema pulmonar e insuficiência cardíaca causada por cirrose hepática, em 17 de julho de 1959.

Apesar das limitações técnicas pela época em que foi gravado vale a pena ouvir Billie; e como vale!

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