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MULHERES MARCANTES: Marija Gimbutas (1921/1994)

Marija Gimbutas, nascida Marija Birutė Alseikaitė, foi uma importante arqueóloga lituana conhecida por suas pesquisas das culturas do Neolítico e da Idade do Bronze da Europa Antiga e pesquisas avançadas sobre a religião da deusa mãe. 

Seus pais eram médicos; sua mãe doutorou-se em oftalmologia em 1908 pela Universidade de Berlim, tornando-se a primeira médica da Lituânia. Os dois também eram grandes conhecedores no folclore lituano e sua casa era frequentada por músicos e escritores.

Gimbutas formou-se pela Universidade de Vilnius em arqueologia, linguística, etimologia, folclore e literatura. Em 1942 obtém seu mestrado em Artes pela mesma universidade. No mesmo ano casa-se com o arquiteto Jurgis Gimbutas. 
Durante a segunda guerra eles vivem, primeiro a ocupação soviética e depois a nazista. Com o fim da guerra vão  para a Áustria e depois para a Alemanha, onde em 1946 ela recebe o doutorado em arqueologia, pela Universidade de Tubingen. 
Em 1949 obtém o pós-doutorado pela Universidade de Munique e no mesmo ano ela, o marido e as duas filhas emigram para os Estados Unidos. Lá ela começa a trabalhar na Universidade de Harvard.

Durante os finais dos anos cinquenta e o começo dos sessenta conquistou a reputação de ser uma das maiores especialistas na história dos povos indo-europeus no neolítico. 

Em 1956, apresentou a Hipótese Kurgan, sobre a origem dos povos europeus. E em 1965 lançou a obra “Bronze Age Cultures of Central and Eastern Europe”  onde reinterpretou a pré-história  à luz de seu conhecimento em linguística, arqueologia e etnologia e estudos sobre a história das religiões, desafiando várias suposições tradicionais sobre o começo da cultura europeia. 

Foi professora  de arqueologia europeia e de estudos indo-europeu na UCLA, Universidade da Califórnia entre 1963 e 1989. Entre 1967 e 1980 dirigiu grandes escavações em sítios arqueológicos do período neolítico em diversos lugares da Europa.

Conquistou fama e notoriedade ao publicar seus três últimos livros: “The Goddesses and Gods of Old Europe” (1974); “The Language of the Goddesses” (1989), e o último livro “The Civilization of the Goddess” (1991), que apresentaram uma visão das suas especulações sobre a cultura Neolítica da velha Europa: família, padrões familiares, estruturas sociais, arte, educação e religião. 
Em “The Civilization of the Goddess”, uma síntese de todo seu trabalho, enfatizou o que via como diferenças entre o antigo sistema europeu na idade de Bronze, que ela considerava como centralizado na deusa mãe e na mulher – matrístico e o modelo Indo-Europeu patriarcal ou androcrático que suplantou o matrístico. De acordo com esta interpretação as sociedades matrísticas eram pacíficas, havia igualdade política e econômica entre os gêneros, eram tolerantes com a diferença e respeitavam a natureza. Mas, as culturas androcráticas ou dominadas pelos homens guerreiros invadiram a Europa e impuseram,  sobre os nativos, usando a força, a cultura patriarcal.

Suas descobertas dessa cultura pré-histórica matrística foram muito importantes simbolicamente para feministas e mulheres em geral, pela visão de uma sociedade que realmente existiu e que foi igualitária, pacífica, ecologicamente sustentada, centrada na religião da deusa. Trouxe também um sentimento de esperança para o futuro baseado em  já ter havido tal sociedade, mesmo que num passado remoto. 

Marija Gimbutas morreu em Los Angeles, em 1994, aos 73 anos.

Infelizmente nenhum dos seus livros foi traduzido no Brasil.





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