O Feminino e o Sagrado um jeito de olhar o mundo

O Feminino e os Livros: A MEMÓRIA DE UMA AMIZADE ETERNA

Escrevi o último post dessa categoria em março e depois disso, por motivos pessoais e também ligados a divulgação do meu novo livro, não escrevi mais.
Mas isso não quer dizer que não li nada (além de ter uma boa lista de livros que já li há tempos e quero recomendar), então vamos recomeçar a lista das minhas indicações sobre Livros e o Feminino.

Retorno com um livro de memórias/autobiografia chamado A MEMÓRIA DE UMA AMIZADE ETERNA, de Gail Caldwell, escritora e jornalista americana vencedora do Prêmio Pulitzer, lançado em 2011 pela Editora Globo.
Gail Caldwell e Caroline Knapp se tornaram amigas, quando Gail estava com 45 anos e Caroline 37. O livro conta os anos – apesar de serem relativamente poucos – dessa amizade inseparável, do seu início até a morte prematura de Caroline, de câncer, aos 42 anos.

Ambas eram solteiras e sem filhos, por opção. Eram escritoras; Caroline era colunista de um jornal e havia escrito dois livros e Gail, crítica literária, quando se conheceram.
Além disso cada uma tinha uma cadela por quem eram apaixonadas: Clementine a de Gail, Lucille a de Caroline. Na verdade, começam a se aproximar por causa das cachorras. O primeiro encontro foi um passeio de quatro horas em uma floresta no final do verão, as quatro juntas. Esses passeios com as cachorras e as conversas e trocas entre elas, vão se tornar parte essencial na vida das duas mulheres.
As duas eram atléticas e amavam a vida ao ar livre e Gail  era uma excelente nadadora e Caroline excelente remadora. Uma ensinou a outra e, por anos, Gail e Caroline nadaram e remaram juntas, competindo, se desafiando e compartilhando.
Caroline havia passado por um período de anorexia aos vinte anos e Gail havia tido paralisia infantil, mancando um pouco por conta disso; isso havia deixado nas duas duras marcas.
Partilhavam mais ainda, as duas tinham sido alcoólatras: Gail estava há 12 anos sem beber, Caroline há 2; Gail escondia isso a não ser da família e amigos muito íntimos, Caroline havia recém publicado um livro contando seu problema.
As duas haviam feito por anos psicoterapia e tinham gratidão e respeito pelo processo.

A amizade entre as duas se estabelece com muita rapidez e com um forte alicerce de verdade, intimidade, confiança, um delicado respeito e profundo afeto.
É muito bonito ver um amor assim, sem a conotação erótica: ambas são heterossexuais e durante os anos de sua amizade, Caroline volta a namorar um antigo namorado, de quem Gail se torna grande amiga. Isso não as impede de se amarem!
Vejam como Gail fala da amiga:

“Encontrar Caroline foi como colocar um anúncio procurando um amigo imaginário e então vê-lo aparecer na porta melhor e mais divertido do que havíamos imaginado”.

O livro foi escrito após anos da morte de Caroline, parecendo meio que um processo de cura do luto. A parte mais substancial do livro é sobre a relação delas, mas conta também um pouco sobre a vida das duas antes de se conhecerem, um pouco da doença, da morte e de como foi para Gail passar por isso.
É escrito de uma forma muito pessoal, corajosa e visceral!
É MUITO bonito e se tem momentos tristes, é um livro de valorização da vida e das relações. Como a autora diz:

“(…) acho que escrever sobre uma amizade que floresceu no reino da conexão e da rotina é como tentar segurar o ar com as mãos. A cotidianidade de nossa aliança era silenciosa e essencial: éramos a treliça que criou o espaço para a rosa”.

É uma ode ao valor que uma amiga pode ter na vida da gente!

1 comentário

  1. Ana disse:

    Bom dia!
    Gostaria de compartilhar : (livros de viagens escritos por mulheres)
    http://www.360meridianos.com/2016/05/livros-de-viagem-escritos-por-mulheres.html
    Gratidão

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